
A maioria dos brasileiros desconfia no Supremo Tribunal Federal (STF), em um cenário marcado por suspeitas envolvendo a relação entre ministros da Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master.
De acordo com a pesquisa AtlasIntel/Estadão, divulgada nesta sexta-feira (20 de março), 60% dos entrevistados afirmam não confiar no STF, enquanto 34% dizem confiar. Outros 6% não souberam ou preferiram não opinar. Trata-se do maior índice de desconfiança registrado desde o início da série histórica, em janeiro de 2023.
Na primeira medição, os níveis de confiança e desconfiança eram semelhantes, com 45% dos entrevistados declarando confiar na Corte e 44% afirmando o contrário. Já em agosto de 2025, o índice de desconfiança havia atingido 51,3%, ainda abaixo do patamar atual, enquanto a confiança era de 48,5%.
O levantamento ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 de março, com margem de erro de dois pontos porcentuais e nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi realizada após o aumento da repercussão do caso Banco Master, que envolve suspeitas de fraude financeira e possíveis conexões com integrantes do STF.
Para 66,1% dos entrevistados, há envolvimento direto de ministros do STF no caso. Já 14,9% não veem ligação entre integrantes da Corte e os crimes atribuídos ao banqueiro, enquanto 18,9% não têm opinião formada.
A percepção de interferência externa também é elevada. Segundo a pesquisa, 76,9% acreditam que há forte influência de agentes políticos ou grupos de poder nas decisões do tribunal. Outros 13% identificam alguma interferência, enquanto apenas 6,1% consideram que os julgamentos seguem critérios técnicos e legais.
Em relação ao processo de liquidação do Banco Master, 53% defendem que o caso não seja analisado pelo STF. Por outro lado, 36,9% consideram que a Corte deve conduzir o julgamento, e 10,1% não souberam responder.
Os dados mostram variações conforme renda e posicionamento político. Entre pessoas com renda superior a R$ 10 mil, a confiança no STF é ligeiramente maior que a desconfiança, com 48,5% e 45,3%, respectivamente. Já na faixa de renda entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, 69,6% afirmam não confiar na instituição.
No recorte eleitoral, a desconfiança é predominante entre eleitores de Jair Bolsonaro, com 96,5% declarando não confiar no STF. Entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, 71,4% afirmam confiar na Corte, enquanto 23,1% dizem o contrário.
Diante desse contexto, propostas para reforçar a credibilidade do STF ganham espaço. Entre elas está a criação de um código de ética, iniciativa apoiada por 57% dos entrevistados, que consideram a medida prioritária.
Outros 18,6% avaliam que o código é importante, mas não deve ser a principal ação do tribunal. Já 8,9% consideram a proposta irrelevante, 6,1% a classificam como pouco importante e 9,4% não souberam opinar sobre o tema.
