
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, declarou que uma mensagem enviada pelo banqueiro Daniel Vorcaro no dia de sua primeira prisão teve como destino um telefone funcional do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Viana afirmou que o número mencionado na mensagem pertence ao STF. Ele disse que cabe à Corte esclarecer quem utilizava o telefone no momento do envio. O senador destacou que essa verificação é essencial para o avanço das investigações.
O parlamentar também defendeu que Alexandre de Moraes seja afastado temporariamente do cargo enquanto durar a apuração. Segundo ele, a medida garantiria maior isenção no processo investigativo. Viana afirmou que solicitará formalmente ao STF a identificação do responsável pelo telefone.
Apesar de afirmar que não se deve antecipar conclusões, o senador argumentou que, devido à posição ocupada por Moraes, o afastamento seria adequado até que se esclareçam eventuais responsabilidades. Ele estendeu a crítica ao ministro Dias Toffoli, defendendo que ambos não deveriam permanecer nos cargos durante investigações.
Na mesma entrevista, Viana criticou a atuação do STF, afirmando que a Corte tem tomado decisões contraditórias. Também apontou uma relação inadequada entre políticos e ministros, na qual, segundo ele, haveria troca de favores para evitar investigações.
O senador ainda defendeu a criação de uma CPI para apurar o Banco Master e declarou acreditar que o ministro André Mendonça homologaria eventual acordo de delação de Vorcaro, mesmo que envolvesse integrantes do Supremo.
Questionado sobre repasses de emendas parlamentares à Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, Viana reconheceu ter destinado recursos em 2019, mas negou vínculo com Fabiano Zettel, parente de Vorcaro e ex-pastor da instituição. Conforme revelou o Estadão, também houve transferências em 2023 e 2025.
Zettel e Vorcaro estão presos sob suspeita de fraudes envolvendo o Banco Master. O senador afirmou que já destinou recursos a diversas instituições e destacou o papel social das igrejas, especialmente em ações voltadas ao sistema prisional.
Após decisão do ministro Flávio Dino que impede votações em bloco para quebra de sigilos, Viana afirmou que buscará junto à CPI do Crime Organizado o compartilhamento de dados relacionados a Zettel. Ele declarou que não pretende proteger investigados.
O senador também voltou a defender a quebra de sigilo fiscal de Fábio Luís da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, houve impedimento por parte do governo.
A acusação envolve supostos repasses mensais atribuídos a um lobista, o que é negado pela defesa. Ainda assim, foi admitido ao STF o pagamento de uma viagem a Portugal.
Por fim, Viana informou que pretende submeter à votação convites aos presidentes atual e anterior do Banco Central, Gabriel Galípolo e Roberto Campos Neto, para que prestem esclarecimentos à CPMI, preferencialmente em conjunto.
