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Cuba ameaça manifestantes por ataque à sede do partido comunista

5 pessoas relacionadas ao movimento já foram presas pela ditadura cubana

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O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, condenou atos de vandalismo ocorridos em Morón após protestos contra apagões e falta de alimentos. Autoridades afirmam que a manifestação começou pacífica, mas terminou com ataque à sede do Partido Comunista. Cinco pessoas foram detidas e o caso segue sob investigação.

O presidente de Cuba, Miguel Mario Díaz-Canel Bermúdez, condenou atos de vandalismo registrados na cidade de Morón, na província de Ciego de Ávila, após manifestações relacionadas aos apagões e à escassez de alimentos.

Segundo autoridades, os protestos começaram de forma pacífica, mas terminaram com ataques a prédios públicos.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram um incêndio em frente ao edifício e pessoas arremessando pedras contra as janelas enquanto gritos de “liberdade” eram ouvidos ao fundo.

Segundo o jornal estatal Invasor, parte dos manifestantes também ateou fogo na rua utilizando móveis retirados da área de recepção do prédio. 

A agência Reuters confirmou que um dos vídeos foi gravado na cidade de Morón, localizada na costa norte da ilha, cerca de 400 quilômetros a leste de Havana e próxima ao polo turístico de Cayo Coco. 

Protestos públicos são raros em Cuba. Embora a Constituição de 2019 reconheça o direito de manifestação, ainda não existe uma legislação específica que regulamente esse direito, deixando participantes em uma situação jurídica indefinida.

Em publicação na rede social X, Díaz-Canel afirmou que o descontentamento da população diante dos prolongados cortes de energia é compreensível. Ele atribuiu a crise energética ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos e destacou que a situação tem sido agravada nos últimos meses.

O presidente declarou que reclamações e protestos são legítimos, desde que ocorram com respeito à ordem pública. Segundo ele, atos violentos ou de vandalismo contra instituições não serão tolerados e não ficarão impunes.

Também nas redes sociais, o secretário de Organização do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, Roberto Morales Ojeda, comentou o episódio. Ele afirmou que a falta de combustível, agravada pelo cerco energético imposto pelo governo norte-americano, tem dificultado o funcionamento do Sistema Elétrico Nacional e ampliado os apagões no país.

Morales Ojeda disse compreender o descontentamento da população, mas afirmou que violência, vandalismo e desordem não são aceitáveis e não representam solução para a crise. Segundo ele, o país deve manter o respeito às leis, às instituições e ao civismo.

O Ministério do Interior informou que investiga os atos ocorridos em Morón. Em nota publicada nas redes sociais, a pasta afirmou que, por volta da meia-noite de sábado, um grupo de pessoas percorreu diversas ruas da cidade apresentando reivindicações relacionadas principalmente ao fornecimento de energia e ao acesso a alimentos.

De acordo com o comunicado, a manifestação inicialmente ocorreu de forma pacífica e houve diálogo entre participantes e autoridades locais. Posteriormente, um grupo menor de pessoas atacou a sede do Comitê Municipal do Partido Comunista, apedrejando a entrada do prédio e provocando um incêndio na via pública com móveis retirados da recepção.

Informações preliminares divulgadas nas redes sociais também apontam danos em outros estabelecimentos estatais da região, incluindo uma farmácia e um ponto de venda da rede Tiendas Caribe.

Até o momento do comunicado oficial, cinco pessoas haviam sido detidas. Outra pessoa, que estava embriagada e sofreu uma queda, recebeu atendimento no Hospital Geral Roberto Rodríguez.

As forças especializadas do Ministério do Interior continuam investigando o caso para esclarecer as circunstâncias dos acontecimentos.

Na sexta-feira (13), o governo cubano informou ter iniciado conversações com Washington com o objetivo de tentar reduzir os efeitos da crise energética e econômica que atinge o país.

Apagões continuam

As autoridades informaram que o sistema elétrico nacional enfrentou limitações de capacidade de geração ao longo das últimas 24 horas, o que provocou cortes no fornecimento de energia em diferentes regiões.

De acordo com os dados divulgados, o maior impacto ocorreu às 19h10 desse sábado (14), ampliando as interrupções no abastecimento elétrico.

A situação persistiu durante a madrugada deste domingo (15), com manutenção das restrições no serviço devido à diferença entre a demanda e a capacidade disponível de geração no sistema.

Cuba iniciou a instalação de 1.064 sistemas solares fotovoltaicos em centros considerados vitais em todos os municípios do país. A iniciativa integra um programa maior de implantação de 2.671 unidades destinadas a serviços essenciais, como parte da estratégia nacional para reduzir os impactos da crise energética.

Segundo informou o jornal Granma, a execução do projeto está a cargo da empresa estatal Copextel. De acordo com Fidel Yedra Gutiérrez, vice-presidente da companhia, o programa faz parte de um lote de 5.000 sistemas solares de dois quilowatts doados pela China.

Até o momento, Copextel instalou 141 unidades. A província de Havana concentra o maior avanço do projeto, com 55 sistemas montados de um total previsto de 68.

Yedra Gutiérrez afirmou que a conclusão do programa está prevista para março e destacou que a iniciativa é considerada urgente pelo governo. Segundo ele, a instalação desses sistemas permitirá garantir um nível mínimo de fornecimento de energia em locais que têm impacto direto no atendimento à população.

A distribuição dos equipamentos tem sido conduzida principalmente pela União Elétrica, responsável pelo transporte dos sistemas até as províncias.