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Petrobras reajusta preço do diesel após o governo zerar impostos

A gasolina ficou mais cara nos postos, mesmo sem aumento nas refinarias

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A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o aumento do diesel foi causado pela guerra no Oriente Médio. Medidas do governo federal reduziram o reajuste potencial de R$ 0,70 para R$ 0,06 por litro. A gasolina segue sem aumento e a empresa diz que não há falta de combustíveis.

O valor do diesel vendido às distribuidoras será reajustado em R$ 0,38 por litro a partir desse sábado (14). Em comunicado, a estatal explica que o preço médio do diesel praticado pela companhia para as distribuidoras aumentará para R$ 3,65 por litro, e a participação da Petrobras no preço do diesel B será, em média, de R$ 3,10.

O diesel A é o vendido nas refinarias, antes de ser misturado a biocombustíveis. Já o diesel B é o comercializado nos postos ao consumidor final, depois de as distribuidoras efetuarem a mistura obrigatória.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que o aumento do diesel foi provocado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado internacional de combustíveis. Segundo ela, os preços continuam sendo acompanhados diariamente e, até o momento, não há previsão de reajuste para a gasolina.

Segundo a executiva, o reajuste poderia ter sido significativamente maior sem medidas adotadas pelo governo federal. Entre as ações citadas está a decisão de zerar as alíquotas do PIS e da Cofins sobre a importação e comercialização do diesel.

Cálculos do Ministério da Fazenda indicam que a suspensão desses tributos reduz em R$ 0,32 por litro o preço do combustível. Além disso, o governo editou uma medida provisória que prevê subvenção ao diesel destinada a produtores e importadores.

Apesar de não haver reajuste na gasolina, consumidores têm relatado aumento do preço do produto em alguns estabelecimentos. Questionada sobre esse comportamento, Chambriard afirmou que não há motivo para elevação, uma vez que o preço de venda da Petrobras não foi alterado e o abastecimento ocorre normalmente.

A executiva fez um apelo para que distribuidores e postos evitem repassar aumentos especulativos aos consumidores. “Esperamos que, nesse momento difícil para sociedade brasileira e mundial, que haja sensibilidade suficiente para não buscar aumento de margem de forma especulativa”, disse.

Ela acrescentou que, em períodos de grande volatilidade, alguns agentes econômicos podem ampliar suas margens de lucro, cabendo aos órgãos de fiscalização e controle avaliar a situação e adotar providências, se necessário.

Chambriard também ressaltou que a Petrobras tem atuação limitada na etapa final da cadeia de distribuição de combustíveis. A empresa não controla mais a venda direta nos postos desde a privatização da BR Distribuidora, que passou a se chamar Vibra Energia.

Na operação, a compradora recebeu autorização para utilizar a marca BR até 28 de junho de 2029. Assim, embora muitos postos exibam a bandeira BR, eles não pertencem à Petrobras. O acordo incluiu ainda uma cláusula de non-compete, que impede a estatal de competir com a Vibra nesse segmento.

A presidente da Petrobras também pediu colaboração dos governos estaduais na redução do impacto dos combustíveis sobre a população. Segundo ela, a alta internacional causada pela guerra já elevou a arrecadação dos estados.

“Cabe também a redução do ICMS. Eu espero que os estados deem sua contribuição para esse enfrentamento”, afirmou. “Da mesma forma que o governo federal fez sua parte, que os estados, pelo menos, reduzam um pouco, em benefício da sociedade brasileira”.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) disse que o reajuste do diesel, anunciado nesta sexta-feira (13) pela Petrobras, mostra “graves limitações na estrutura do mercado de abastecimento no Brasil”.

A venda de refinarias e a privatização da BR Distribuidora, em 2019, seriam exemplos dessas limitações, segundo a entidade.

A FUP defende que a Petrobras amplie o parque nacional de refino e fortaleça a presença em toda a cadeia do setor, o que inclui distribuição e comercialização.