
O sexto dia de confrontos entre Israel, Irã e aliados regionais foi marcado por novos ataques, alertas de segurança e movimentações militares nesta quinta-feira (5 de março).
Sirenes voltaram a soar em áreas de Israel, enquanto ofensivas aéreas israelenses atingiram alvos no Irã e no Líbano, ampliando a tensão no Oriente Médio.
Autoridades militares israelenses informaram que a Força Aérea concluiu a 13ª onda de ataques contra alvos ligados ao governo iraniano no oeste e no centro do Irã.
Segundo um porta-voz militar, dezenas de locais utilizados para lançamentos de projéteis contra Israel foram atingidos nos últimos dias. O mesmo representante afirmou que mais de 300 lançadores de mísseis teriam sido desativados.
Ao longo do dia, sirenes de alerta foram registradas em diferentes regiões israelenses, incluindo a Alta Galileia. Sistemas de defesa aérea interceptaram um míssil balístico lançado a partir do Irã. Autoridades de defesa civil orientaram moradores do centro e do norte do país a permanecer próximos de abrigos ou locais protegidos.
Fragmentos de mísseis interceptados foram encontrados em áreas urbanas, incluindo um jardim de infância na cidade de Lod. Em outro caso, uma câmera de segurança registrou o momento em que um fragmento de foguete atravessou uma residência e causou destruição no interior do imóvel. Os moradores estavam em um abrigo e não ficaram feridos.
No sul do Líbano, Israel voltou a emitir alertas de evacuação para moradores do distrito de Dahiyeh, em Beirute, área associada à presença do Hezbollah. O exército israelense afirmou ter concluído uma série de ataques noturnos contra instalações da organização, incluindo estruturas ligadas à sua unidade aérea.
Informações divulgadas pela agência Reuters indicam que integrantes da força Radwan, unidade de elite do Hezbollah, receberam ordens para se deslocar para áreas do sul do Líbano abandonadas anteriormente. Segundo os relatos, o objetivo seria bloquear o avanço de tanques israelenses.
O Ministério da Saúde do Líbano informou que, desde a retomada dos combates com o Hezbollah, 77 pessoas morreram e 527 ficaram feridas no país.
Também houve registros de movimentações militares em outros pontos da região. O Exército iraniano afirmou ter realizado um ataque com drones contra uma base militar dos Estados Unidos no Iraque. As forças iranianas, no entanto, negaram ter lançado drones contra o Azerbaijão, apesar de relatos de explosões em um aeroporto e nas proximidades de uma escola perto da fronteira entre os dois países.
Em resposta a esses episódios, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, convocou o Conselho de Segurança Nacional e afirmou que o país está preparado para reagir militarmente caso necessário.
No plano político e militar internacional, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou o envio de quatro caças Typhoon ao Catar para reforçar as operações de defesa na região. Nos Estados Unidos, o Senado autorizou ataques norte-americanos no contexto do conflito, enquanto parlamentares democratas manifestaram oposição à guerra e republicanos demonstraram apoio.
Relatos publicados pelo Washington Post indicam que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia ampliar suas operações no Irã. Entre as possibilidades discutidas estariam o envio de tropas terrestres e contatos com grupos de oposição interna no país. A reportagem também menciona uma proposta de apoio aéreo a forças curdas para avançar em áreas do oeste iraniano.
Enquanto isso, o Comando Central dos EUA informou que rumores sobre a suposta queda de um caça F-15 em território iraniano são falsos.
No campo diplomático regional, o governo do Líbano anunciou o restabelecimento da exigência de visto para cidadãos iranianos que desejem entrar no país.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou que as autoridades devem adotar medidas para impedir qualquer atividade militar atribuída à Guarda Revolucionária Iraniana em território libanês.
A guerra também tem causado impactos na vida cotidiana em Israel. Autoridades registraram 1.473 pessoas com ferimentos leves decorrentes de ataques iranianos e do Hezbollah. Em algumas cidades, cerimônias e atendimentos médicos foram adaptados às condições de segurança. Um casamento e até um parto ocorreram em um estacionamento subterrâneo utilizado como abrigo.
Apesar de períodos sem alertas em algumas áreas, como Beer Sheva, no sul de Israel, a situação permanece instável. Ataques mútuos entre Israel e Irã continuaram a ser registrados ao longo do dia, inclusive com disparos em direção à região de Tel Aviv.
De acordo com a agência iraniana Tasnim, o número de mortos no Irã desde o início da guerra chegou a 1.230.

