
Israel e Estados Unidos iniciaram na manhã deste sábado (28) uma operação conjunta contra alvos no Irã e, em seguida, Teerã retaliou com mísseis e drones, elevando o nível de alerta em Israel e no Golfo e levando ao fechamento de espaços aéreos e ao cancelamento de voos em vários países.
Israel informou que fechou seu espaço aéreo e adotou medidas de emergência diante da escalada. O aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, deve ficar sem operações por pelo menos 48 horas, segundo a emissora israelense N12.
Centros médicos em todo o Israel passaram a operar em regime de emergência, de acordo com diretrizes do Ministério da Saúde, e transferiram pacientes em estado crítico e procedimentos para complexos subterrâneos ou estão funcionando em áreas protegidas, informaram hospitais.
Crianças internadas em diferentes departamentos do Centro Médico Infantil Schneider foram transferidas para uma área protegida.
No Centro Médico da Galileia, em Nahariya, todos os setores de internação foram evacuados para o complexo subterrâneo fortificado de hospitalização, segundo relato do jornal The Times of Israel
O presidente Donald Trump descreveu a campanha militar dos Estados Unidos como “massiva e em andamento”, alertou que vidas americanas podem ser perdidas e conclamou os iranianos a “assumirem o controle de seu governo”.
O maior super porta-aviões nuclear do planeta, o USS Gerald R. Ford, está na costa de Haifa, norte de Israel, para auxiliar na defesa do país.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu divulgou um comunicado afirmando que o objetivo da operação é retirar o regime do aiatolá do poder. A operação “criará as condições para que o povo iraniano corajoso assuma o próprio destino”, declarou. “Chegou o momento de todos os segmentos da população no Irã... removerem o jugo da tirania do regime e estabelecerem um Irã livre e amante da paz”, acrescentou.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou apoio aos Estados Unidos. A manifestação foi publicada em comunicado na rede social X.
O comunicado também sustenta que a República Islâmica do Irã é a principal fonte de instabilidade e terrorismo no Oriente Médio, possui um dos piores históricos de direitos humanos do mundo e não deve ser autorizada a obter ou desenvolver armas nucleares.
Alemanha, França e Reino Unido condenaram os ataques iranianos contra países da região e afirmaram que o Irã deve se abster de realizar ações militares indiscriminadas.
Em declaração conjunta, o presidente da França, Emmanuel Macron, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reiteraram o compromisso com a estabilidade regional e com a proteção de civis.
Explosões
Nas últimas horas, novas explosões foram registradas em Teerã e em outras áreas consideradas sensíveis, enquanto autoridades israelenses e americanas indicaram que a ofensiva mira estruturas ligadas a capacidades militares estratégicas do Irã, incluindo áreas descritas como relacionadas a mísseis e ao programa nuclear.
De acordo com o jornal The New York Times, imagens de satélite da Airbus registradas na manhã deste sábado mostram ampla destruição e uma densa coluna de fumaça preta no complexo fortificado do aiatolá Ali Khamenei, em Teerã. Diversos edifícios dentro da área teriam desabado.
Segundo a publicação, o local costuma servir como residência principal de Khamenei e também como espaço para reuniões com autoridades de alto escalão do Irã.
Autoridades israelenses afirmaram ao The Jerusalem Post que o líder supremo do Irã está incomunicável e que não há confirmação sobre seu paradeiro ou condição.
O comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, general Mohammad Pakpour, foi morto nos ataques da manhã de sábado que marcaram a primeira onda de ofensivas coordenadas entre Estados Unidos e Israel, segundo autoridades israelenses.
Pakpour havia sido nomeado para o cargo depois que seu antecessor, Hossein Salami, foi morto por Israel no ataque inicial da guerra de 12 dias ocorrida em 2025.
Autoridades iranianas negaram a informação. Um canal afiliado ao regime afirmou que “todos os comandantes das Forças Armadas do Irã estão seguros e bem” e pediu ao público que desconsidere o que classificou como rumores divulgados pela mídia hostil.
Mais cedo, a agência Reuters informou, citando uma fonte iraniana próxima ao governo, que vários comandantes seniores do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e altos funcionários políticos foram mortos nos ataques.

Mísseis contra Israel e países árabes
O Irã respondeu aos ataques com lançamentos contra Israel e também contra pontos associados a forças dos EUA na região do Golfo, segundo relatos de autoridades e agências. Em Israel, sirenes foram acionadas em diferentes áreas e sistemas de defesa aérea entraram em operação para interceptação, de acordo com o portal de notícias Israel de Fato.
A retaliação atingiu também países do Golfo que abrigam bases americanas, como Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos, incluindo um ataque direto à Base Aérea de Al Udeid, no Catar -- a maior instalação militar americana no Oriente Médio, onde estão estacionados cerca de 10 mil soldados americanos.
A agência de notícias Reuters informou que uma pessoa morreu em Abu Dhabi, e que o Bahrein confirmou um impacto em um centro de serviços da Marinha dos EUA, enquanto outros países relataram interceptações.
Israel utiliza um sistema de defesa estruturado em diversas camadas para enfrentar mísseis lançados pelo Irã. O correspondente de armas e tecnologia do jornal Haaretz, Oded Yaron, afirma que não existe solução única capaz de garantir eficácia total.
Segundo Yaron, o modelo é conhecido como “defesa em cebola”. Ele compara o mecanismo às camadas do vegetal, explicando que diferentes sistemas são empregados de forma sobreposta para ampliar a proteção.
De acordo com o especialista, o processo começa com a análise de dados de radar e de satélites, que estimam os possíveis pontos de impacto dos projéteis. A prioridade é dada a mísseis com trajetória em direção a áreas residenciais ou a infraestruturas estratégicas.
Domo de Ferro - Intercepta foguetes de curto alcance, morteiros e drones, com alcance aproximado de 4 a 70 km.
Estilingue (ou Funda) de Davi - Barra mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro de médio alcance, entre 100 e 200 km.
Flecha - Neutraliza mísseis balísticos de longo alcance. O Flecha 2 atua contra ameaças dentro da atmosfera. O Flecha 3 é destinado a interceptações exoatmosféricas, isto é, fora da atmosfera terrestre, inclusive no espaço.
THAAD, sigla para Terminal High Altitude Area Defense (Defesa de Área Terminal em Alta Altitude) - Finalidade: complementar o sistema Flecha. É projetado para interceptar mísseis balísticos de curto, médio e alcance intermediário na fase terminal, ou seja, durante a reentrada na atmosfera.
Preocupações legais
Nos Estados Unidos, o senador democrata da Virgínia Mark Warner, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, afirmou que os ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã levantam “sérias preocupações legais e constitucionais”.
Segundo a CNN, Warner sustentou que a Constituição dos Estados Unidos atribui ao Congresso a decisão de levar o país à guerra. No comunicado.
“O Congresso deve ser plenamente informado, e o governo precisa apresentar uma justificativa legal clara, um objetivo final definido e um plano que evite arrastar os Estados Unidos para mais uma guerra custosa e desnecessária”, disse o senador.
A mídia estatal síria informou que ao menos quatro pessoas morreram e várias ficaram feridas após um míssil iraniano atingir uma área industrial na região de Sweida, no sul da Síria.
No Irã, de acordo com a imprensa estatal, um ataque atingiu uma escola feminina, na cidade de Minab, província de Hormozgan, no sul do país, provocando a morte de dezenas de estudantes. Não foi possível confirmar os relatos de forma independente.
De acordo com a agência Mehr, ao menos 57 alunas morreram e dezenas permaneceriam sob os escombros. O governador do condado de Minab havia divulgado anteriormente que 24 estudantes foram mortas na ação.
Outra agência iraniana divulgou imagens que mostrariam danos significativos ao prédio escolar, com fumaça saindo da estrutura e guindastes removendo destroços.
No Irã, o sábado marca o início da semana letiva.
