
O bloco afro A Mulherada desfila no Campo Grande nessa quinta-feira (12 de fevereiro) com o tema “Iyobas – A Força Ancestral da Rainha Mãe Idia: do Benin a Salvador, a herança das mulheres negras”.
A proposta homenageia a figura histórica do Reino do Benin e destaca o papel das mulheres negras da diáspora na preservação e atualização desse legado cultural, espiritual e político.
Após levar o protagonismo feminino ao Fuzuê, na Barra, o bloco retorna ao circuito tradicional reforçando sua presença nas festas carnavalescas da capital baiana.
Reconhecido como o primeiro bloco afro e exclusivamente feminino a desfilar no Campo Grande, A Mulherada também participa da cerimônia oficial de abertura do Carnaval. O cortejo contará com mais de mil integrantes, distribuídos em alas de percussão, dança, rainhas afro, baianas, grupos de xequerês e foliãs e foliões.
A concepção artística do desfile está estruturada em três eixos. O primeiro, Ancestralidade, propõe o resgate simbólico do Reino do Benin, com referência a rituais, símbolos e estéticas tradicionais. O segundo, Travessia, aborda as transformações culturais resultantes da diáspora africana. O terceiro, Herdeiras das Iyobas, destaca as mulheres negras de Salvador como protagonistas atuais da cultura afro-baiana.
No Centro Histórico, o Circuito Batatinha é considerado o espaço fundador da trajetória artística, política e comunitária do bloco e do instituto que leva o mesmo nome. O local é apontado como berço cultural da agremiação, que encerra sua participação no Carnaval da cidade no segundo dia do Furdunço, em 15 de fevereiro, domingo.
O percurso inclui áreas como Praça da Sé, Terreiro de Jesus, Largo do Pelourinho e ruas do entorno.
A apresentação no Centro Histórico será realizada no formato de banda show, com percussionistas e microtrio. O espetáculo reúne música, performance corporal e presença cênica no território simbólico onde o grupo iniciou suas atividades.
Com a escolha do tema “Iyobas”, título de alta hierarquia na liderança tradicional do Reino do Benin, o desfile pretende simbolizar sabedoria, liderança e poder espiritual. A proposta valoriza referências ancestrais, diversidade e o protagonismo feminino negro, além de reforçar narrativas afro-diaspóricas como instrumentos de afirmação identitária e preservação da herança cultural baiana.


