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Festa de Iemanjá: sereia do
Rio Vermelho é restaurada

A escultura representa Iemanjá, orixá das águas salgadas

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A escultura A Sereia do Rio Vermelho, de Tatti Moreno, foi restaurada antes da Festa de Iemanjá. A obra passou por limpeza, repintura e recuperação do pedestal, reforçando a preservação da arte pública e da memória cultural de Salvador.

A escultura A Sereia do Rio Vermelho foi criada pelo artista plástico baiano Tatti Moreno. A intervenção foi realizada pelo artista plástico José Dirson Argolo, sob coordenação da Fundação Gregório de Mattos (FGM), instituição responsável pela preservação do patrimônio artístico da capital baiana.

A obra está instalada no Largo da Mariquita e é considerada um dos principais marcos da arte pública da cidade.

Integrante do conjunto de esculturas de temática afro-religiosa produzido por Tatti Moreno, a peça mantém relação direta com a identidade cultural de Salvador. O artista faleceu em julho de 2022, aos 77 anos, deixando um legado amplamente presente nos espaços urbanos da cidade.

José Dirson Argolo, que também é professor da Escola de Belas-Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba), explicou que a escultura, por ser confeccionada em fibra de vidro, sofre menos com a ação da maresia e das intempéries quando comparada a obras feitas em ferro ou bronze. Ainda assim, foram identificados desgastes na pintura, manchas, pichações e colagem de cartazes no pedestal.

Segundo o artista, a parte mais comprometida era o pedestal, construído em concreto com acabamento em cimento liso e sem pintura, que apresentava diversas perfurações e danos estruturais, especialmente na área superior.

Argolo destacou ainda a relevância da obra dentro da produção artística de Tatti Moreno e no cenário urbano da capital baiana. Para ele, a Sereia do Rio Vermelho se sobressai pelo porte e pela imponência, ao lado das esculturas localizadas no Dique do Tororó, além de ocupar um ponto de grande visibilidade na cidade.

A escultura representa Iemanjá, orixá das águas salgadas, e traz símbolos associados à religiosidade afro-brasileira, como o abebé em formato de estrela, além de referências à fecundidade feminina e à abundância de peixes da Baía de Todos-os-Santos.

O processo de restauração envolveu limpeza completa da peça, com uso de produtos químicos e instrumentos adequados, aplicação de material protetor e repintura na tonalidade original definida pelo autor.

Foi utilizada tinta automotiva dourada, escolhida por sua maior resistência ao sol e à chuva. No pedestal, houve recomposição das áreas danificadas, fechamento de lacunas, recuperação da parte superior e aplicação de verniz.

O trabalho foi concluído em cerca de dez dias, incluindo a montagem de andaimes, instalação de tapumes e execução de todas as etapas técnicas do restauro. Segundo Argolo, ações desse tipo contribuem diretamente para a preservação da memória cultural da cidade e para a valorização da arte pública.