
O bairro do Rio Vermelho, em Salvador, será palco da tradicional Festa de Iemanjá, no dia 2 de fevereiro (segunda-feira). Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade, a celebração reúne pescadores, religiosos, moradores e turistas em um ato coletivo de fé e identidade cultural.
A Festa de Iemanjá tem como ponto de partida a Colônia de Pescadores Z1 e a Casa de Iemanjá, locais simbólicos para a realização do evento, que atravessa gerações e reflete a cultura da capital baiana. Desde 2020, a celebração possui registro oficial como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador, concedido pela Fundação Gregório de Mattos (FGM).
Segundo Vagner Rocha, diretor de Patrimônio e Equipamentos Culturais da FGM, a festa representa a força de uma tradição com mais de 100 anos, dedicada exclusivamente a um orixá, sem sincretismo religioso. “A FGM tem um papel essencial na preservação desta celebração, que expressa a identidade da cidade mais negra fora da África”, afirmou.
A Fundação Gregório de Mattos atua durante todo o ano para garantir a continuidade da festa, em diálogo constante com os pescadores da Colônia Z1, considerados os principais guardiões dessa manifestação cultural. Rocha destaca que, sem a presença dos pescadores, da colônia e da procissão marítima, o evento não aconteceria.
Entre as ações de preservação realizadas no ano passado, estão a criação do Plano de Salvaguarda, a restauração da imagem de Iemanjá em frente à Casa da orixá e reparos em seis embarcações usadas na procissão marítima. Em 2024, está em curso a restauração da escultura da sereia no Largo da Mariquita, assinada por Tatti Moreno, com previsão de entrega para os próximos dias.
Rocha ressalta que a Festa de Iemanjá é fundamental tanto para o calendário das festas populares de Salvador quanto para o reconhecimento da matriz africana na formação da cidade. Ele também pontua a importância ambiental da celebração, por sua conexão com o mar e os debates sobre mudanças climáticas. “Reverenciar Iemanjá é também um ato de respeito à natureza e à preservação das águas”, afirma.
José Roberto Pantaleão, de 69 anos, ex-presidente da Colônia Z1, relata o orgulho de fazer parte dessa história. Com mais de cinco décadas de atuação, ele lembra dos tempos em que a festa era realizada com recursos limitados. “Chegava o dia e não havia dinheiro. Tudo era feito fiado, com muito esforço e devoção”, contou.
Nilo Garrido, de 60 anos, pescador desde 1985 e também membro da colônia, compartilha o sentimento. Para ele, a celebração tem um valor imensurável. “A Festa de Iemanjá representa muito para nós. Hoje, o poder público reconhece essa importância e dá mais atenção, mas o sentimento de pertencimento vem da nossa vivência com o mar e com essa tradição que nos emociona a cada ano”, declarou.
