Ciência

Planeta com chances de ser habitável é descoberto

HD 137010 b tem o tamanho da Terra

Foto: Nasa
O planeta HD 137010 b é classificado como um gigante gasoso
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Cientistas descobriram o planeta gigante HD 137010 b, oito vezes maior que Júpiter, orbitando uma estrela parecida com o Sol a 122 anos-luz da Terra. A descoberta, feita por meio de espectroscopia de velocidade radial, contribui para entender a formação de sistemas planetários e impulsiona a busca por outros exoplanetas.

Pesquisadores identificaram um novo planeta gigante fora do Sistema Solar, nomeado HD 137010b, localizado a cerca de 122 anos-luz da Terra, na constelação de Ursa Maior. A descoberta foi anunciada por uma equipe internacional de astrônomos após análises com espectroscopia de velocidade radial.

O planeta chama atenção por sua massa significativamente maior que a de Júpiter e por orbitar uma estrela semelhante ao Sol. A descoberta reforça o avanço das tecnologias de detecção e amplia o conhecimento sobre a diversidade de exoplanetas existentes na galáxia.

O planeta HD 137010 b é classificado como um gigante gasoso, com cerca de oito vezes a massa de Júpiter, o maior planeta do nosso Sistema Solar. Segundo o artigo publicado pelos cientistas no Astronomical Journal, o planeta completa uma órbita em torno de sua estrela a cada 798 dias terrestres, o que equivale a pouco mais de dois anos.

A estrela hospedeira, HD 137010, é uma anã amarela do tipo espectral G, muito parecida com o nosso Sol, e localiza-se na constelação de Ursa Maior, visível no hemisfério norte. A grande massa do planeta sugere que ele pode exercer forte influência gravitacional sobre outros corpos do sistema.

Como a descoberta foi feita

O planeta foi detectado por meio do método de velocidade radial, uma técnica que mede pequenas oscilações na luz da estrela causadas pela atração gravitacional de um planeta em órbita. As observações foram conduzidas com o uso do espectrômetro HIRES, acoplado ao telescópio Keck, no Havaí.

O estudo foi liderado por cientistas da Universidade da Califórnia, em colaboração com pesquisadores de instituições na Europa e na Ásia. Segundo o astrofísico Thomas Nguyen, principal autor do estudo, “a detecção do HD 137010 b é mais uma evidência de que planetas gigantes podem surgir em uma ampla variedade de sistemas estelares”.

A descoberta contribui para o entendimento da formação e evolução de sistemas planetários, especialmente no que diz respeito a gigantes gasosos orbitando estrelas parecidas com o Sol. Esses corpos celestes podem ter um papel importante na dinâmica de sistemas planetários, inclusive na proteção de planetas menores, como ocorre com Júpiter em nosso Sistema Solar.

Além disso, a descoberta reforça a eficácia do método de velocidade radial, que continua sendo um dos principais instrumentos na busca por exoplanetas, especialmente aqueles que não transitam diretamente na frente de suas estrelas, o que dificultaria sua detecção por outros métodos.

Próximos passos da pesquisa

Os cientistas pretendem agora estudar mais profundamente a composição da atmosfera de HD 137010 b, algo que pode ser possível com a ajuda de telescópios mais avançados, como o James Webb Space Telescope. A meta é verificar se o planeta possui características atmosféricas semelhantes às de outros gigantes já conhecidos e estimar a presença de elementos como hidrogênio, hélio e compostos metálicos.

Além disso, há interesse em verificar se há outros planetas no mesmo sistema estelar. “Detectar um planeta como o HD  137010 b é apenas o primeiro passo. Sistemas como esse podem abrigar planetas menores, possivelmente rochosos, mais difíceis de detectar”, disse a pesquisadora europeia Marta Valls-Gabaud.

Desde a primeira confirmação de um exoplaneta em 1995, mais de 5.500 planetas fora do Sistema Solar já foram identificados. As descobertas se intensificaram nos últimos 20 anos, com o avanço de missões espaciais como o Kepler e o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite). A busca por exoplanetas busca não apenas mapear a diversidade cósmica, mas também responder à pergunta fundamental: estamos sozinhos no universo?