
A presença de mulheres em cargos de liderança política no mundo permanece baixa, com apenas um em cada sete países sendo governado por uma mulher.
Dados de um estudo da União Interparlamentar e da ONU Mulheres indicam estagnação e até retrocessos na representação feminina em posições de poder.
O levantamento revela que, atualmente, apenas 28 países são liderados por mulheres, enquanto 101 nações nunca tiveram uma chefe de Estado ou de governo. Esse cenário reforça a predominância masculina na condução política global.
Nos Parlamentos, a participação feminina alcançou 27,5% das cadeiras, indicando que mais de dois terços das casas legislativas ainda são dominadas por homens. Já nos gabinetes de governos nacionais, a presença de mulheres é ainda menor, com 22,4% dos cargos ministeriais ocupados por elas.
A pesquisa aponta que apenas 14 países atingiram a paridade de gênero em seus gabinetes, enquanto outros oito não contam com nenhuma ministra. Em comparação com 2024, houve queda na proporção de mulheres ministras, que era de 23,3%, indicando uma reversão após anos de avanço gradual.
A liderança parlamentar também registrou retração. Em janeiro de 2026, havia 54 mulheres na presidência de Parlamentos ao redor do mundo, o equivalente a 19,9% do total. O número representa uma queda de quase quatro pontos percentuais em relação ao ano anterior e a primeira redução em mais de duas décadas.
Segundo o relatório, a baixa participação feminina impacta diretamente as decisões globais, já que temas como paz, segurança e prioridades econômicas continuam sendo definidos majoritariamente por homens, sem a contribuição de metade da população mundial.
O estudo também destaca o ambiente hostil enfrentado por mulheres na política. Cerca de 76% das parlamentares relataram ter sofrido algum tipo de violência, incluindo intimidações online e presenciais, percentual superior ao registrado entre homens.
Para a diretora-executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, “num momento de crescente instabilidade global, escalada de conflitos e uma visível reação contra os direitos das mulheres, excluir as mulheres da liderança política enfraquece a capacidade das sociedades de responder aos desafios que enfrentam”.
A presidente da União Interparlamentar, Tulia Ackson, afirmou que “a paridade é uma obrigação moral porque as mulheres têm o mesmo direito de influenciar as decisões que regem as suas vidas. Mas também é a coisa inteligente a fazer. As instituições tomam melhores decisões quando refletem as sociedades que servem.”
Mesmo quando ocupam cargos de liderança, as mulheres tendem a se concentrar em áreas tradicionalmente associadas a temas sociais. Elas lideram 90% dos ministérios de igualdade de gênero e 73% das pastas relacionadas à família e à infância, enquanto homens predominam em áreas como defesa, economia, justiça e governança.
O relatório conclui que, apesar dos avanços pontuais, o progresso é lento e enfrenta obstáculos estruturais. Entre os desafios estão leis discriminatórias, desigualdade no acesso a recursos, violência política e normas sociais que limitam a participação feminina. A superação dessas barreiras é apontada como essencial para alcançar maior equilíbrio de gênero na liderança política global.
