Economia

Confira 10 maneiras de reduzir
os gastos com energia elétrica

O consumidor tem pouco controle sobre parte do preço final. Mas tem controle sobre o consumo.

Foto: Ilustração GPT Imagens IA
Sem controle do uso da energia elétrica, o boleto vira um susto mensal
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Reduzir a conta de luz exige foco em chuveiro, geladeira, ar-condicionado, iluminação e aparelhos em espera. Mudanças de hábito, manutenção e compra de equipamentos eficientes diminuem o consumo em kWh. Acompanhar bandeiras tarifárias e comparar a fatura mensal ajuda a medir a economia real.

A redução dos gastos com energia elétrica começa dentro de casa, com mudanças simples no uso de chuveiro, geladeira, ar-condicionado, iluminação e aparelhos em modo de espera.

Em um cenário em que a tarifa inclui geração, transmissão, distribuição, encargos e tributos, diminuir o consumo em quilowatt-hora é a forma mais direta de aliviar a fatura mensal.

As medidas mais eficazes combinam hábitos de uso, manutenção preventiva e troca gradual de equipamentos ineficientes. A atenção também deve se voltar às bandeiras tarifárias, que indicam mensalmente se a energia ficará mais cara ou mais barata conforme as condições de geração no país.

A conta de luz não cobra apenas a energia consumida. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a tarifa considera a compra da energia, o transporte até as unidades consumidoras, a distribuição, os encargos setoriais e tributos como Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Contribuição de Iluminação Pública (CIP).

Isso significa que o consumidor tem pouco controle sobre parte do preço final. Mas tem controle sobre o consumo. Ao reduzir desperdícios, a família diminui a base sobre a qual esses custos incidem.

O tema ganha importância porque o consumo residencial segue relevante no sistema elétrico. Em março de 2026, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) informou que o consumo nacional de eletricidade foi de 48.886 gigawatts-hora (GWh), queda de 2,3% em relação a março de 2025; na classe residencial, a retração foi de 2,6%.

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Reduza o tempo de banho - O chuveiro elétrico está entre os aparelhos que mais pressionam a conta, porque combina alta potência e uso diário. A orientação mais simples é reduzir a duração dos banhos e evitar temperaturas muito altas.

Quando o clima permitir, usar a chave na posição “verão” também ajuda. A EPE recomenda o uso do chuveiro na posição adequada à estação e orienta evitar banhos prolongados como forma de economizar energia e água.

Em termos práticos, uma família que reduz banhos de dez para cinco minutos corta pela metade o tempo de uso do equipamento. O impacto varia conforme a potência do chuveiro, o número de moradores e a tarifa local.

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Use a geladeira corretamente - A geladeira funciona dia e noite. Por isso, pequenos descuidos se acumulam ao longo do mês.

A orientação é evitar abrir a porta sem necessidade, não deixá-la aberta por muito tempo e verificar a borracha de vedação. A EPE destaca que a porta da geladeira não deve ser aberta sem necessidade, pois isso aumenta o esforço do equipamento para manter a refrigeração.

Também é recomendável evitar instalar o aparelho perto do fogão, em áreas com sol direto ou em locais sem ventilação. Alimentos quentes devem esfriar antes de ir à geladeira, porque aumentam a carga térmica interna.

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Ajuste o ar-condicionado com moderação - O ar-condicionado pode ser indispensável em dias muito quentes, mas seu uso contínuo tem grande impacto na fatura. A economia começa com portas e janelas fechadas, filtros limpos e temperatura moderada.

O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) orienta manter o filtro limpo, ajustar o termostato para temperatura adequada e evitar vazamentos nos dutos de ar-condicionado.

Quando o calor permitir, o ventilador pode substituir o ar-condicionado em parte do dia. Outra medida eficiente é bloquear a entrada direta de sol com cortinas, persianas ou películas adequadas, reduzindo o esforço do aparelho.

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Troque lâmpadas antigas por LED - A iluminação costuma ter peso menor que chuveiro e refrigeração, mas a troca por lâmpadas de LED traz economia contínua. O benefício é maior em casas com muitos pontos de luz ou em ambientes que ficam acesos por longos períodos.

A EPE recomenda aproveitar a luz natural, abrir janelas, cortinas e persianas durante o dia e evitar acender lâmpadas sem necessidade.

A troca deve ser feita aos poucos, priorizando cômodos mais usados, como cozinha, sala, área de serviço e quartos.

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Tire aparelhos da tomada quando não estiverem em uso - Televisores, receptores, videogames, micro-ondas, carregadores e computadores podem consumir energia mesmo quando parecem desligados. É o chamado modo de espera, ou stand-by.

A EPE orienta desligar computador e televisão depois do uso. Também recomenda usar o temporizador da TV para evitar que o aparelho fique ligado durante a noite.

Uma régua com interruptor ajuda a desligar vários equipamentos de uma só vez. A medida é especialmente útil em racks de TV, escritórios e quartos.

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Use máquina de lavar e ferro de forma planejada - A máquina de lavar consome mais quando é usada várias vezes com pouca roupa. O ideal é acumular peças até atingir a capacidade recomendada pelo fabricante, sem sobrecarregar o equipamento.

O ferro elétrico também exige planejamento. Passar poucas peças em vários dias desperdiça energia no aquecimento repetido. O melhor é juntar roupas e passar tudo de uma vez, começando por tecidos que exigem menos temperatura.

Essa mudança não exige compra de equipamentos. Exige rotina. Em casas com muitas pessoas, a organização semanal pode reduzir desperdícios sem afetar o conforto.

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Compare a eficiência antes de comprar - Na compra de geladeira, ar-condicionado, ventilador, máquina de lavar ou lâmpadas, o preço na loja não deve ser o único critério. Um produto mais barato pode sair caro se consumir muita energia durante anos.

O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) mantém tabelas do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), com produtos autorizados a ostentar a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE). As tabelas são atualizadas periodicamente e ajudam o consumidor a comparar consumo e eficiência antes da compra.

A prioridade deve ser dada a modelos mais eficientes, especialmente em aparelhos de uso diário ou prolongado. Geladeira e ar-condicionado merecem atenção especial.

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Acompanhe a bandeira tarifária - As bandeiras tarifárias indicam o custo real da geração de energia no mês. A bandeira verde não acrescenta valor à tarifa; a amarela e a vermelha adicionam cobrança por quilowatt-hora consumido.

Desde a atualização da ANEEL de janeiro de 2026, os adicionais informados são de R$ 0,01885 por kWh na bandeira amarela, R$ 0,04463 por kWh na vermelha patamar 1 e R$ 0,07877 por kWh na vermelha patamar 2.

Quando a bandeira fica amarela ou vermelha, a economia de consumo ganha efeito maior. Nesses meses, reduzir chuveiro, ar-condicionado e equipamentos de alto consumo faz diferença mais rápida.

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Leia a conta e monitore o consumo mensal - Muita gente só olha o valor final da fatura. O dado mais importante, porém, é o consumo em quilowatt-hora (kWh). Ele mostra se a família gastou mais energia, mesmo quando a tarifa muda.

A comparação deve ser feita mês a mês e também com o mesmo mês do ano anterior. Essa análise evita conclusões erradas em períodos de calor, férias, visitas em casa ou aumento no uso de aparelhos.

Uma meta simples é reduzir de 5% a 10% do consumo em kWh no primeiro mês. Depois, a família pode ajustar a rotina conforme os resultados.

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Faça manutenção e corrija desperdícios invisíveis - Equipamento sujo, mal instalado ou com defeito consome mais. Filtros de ar-condicionado, borrachas de geladeira, tomadas frouxas, fios aquecendo e aparelhos antigos merecem atenção.

A manutenção também é uma medida de segurança. Instalações elétricas improvisadas podem desperdiçar energia e aumentar riscos domésticos.

O ideal é procurar um profissional qualificado quando houver aquecimento anormal, cheiro de queimado, disjuntores desarmando com frequência ou tomadas sobrecarregadas.

Exemplo prático de economia

Uma família com quatro pessoas, usando um chuveiro de 5.500 watts, economiza cerca de 55 kWh por mês se cada morador reduzir o banho diário em cinco minutos. O cálculo considera 30 dias de uso e serve apenas como simulação, porque a economia real depende da potência do aparelho e da tarifa local.

Com uma tarifa hipotética de R$ 1 por kWh, a redução seria de aproximadamente R$ 55 por mês apenas com essa mudança. Em locais com bandeira vermelha, o ganho tende a ser maior, porque cada kWh evitado também deixa de receber o adicional tarifário.

Especialistas em eficiência energética costumam apontar que a economia mais consistente vem da soma de pequenas ações. Nenhuma medida isolada resolve tudo, mas o conjunto muda o padrão de consumo.

A EPE resume esse princípio ao afirmar que, além de buscar equipamentos eficientes, os cidadãos podem reduzir desperdícios com pequenas mudanças de hábito no dia a dia.

A recomendação final é simples: começar pelos aparelhos de maior consumo, acompanhar o kWh na conta e transformar a economia em rotina familiar.