
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem manifestado descontentamento com a condução do inquérito sobre o Banco Master pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. A informação foi divulgada em reportagem da Folha de S.Paulo, assinada pela jornalista Catia Seabra.
Segundo a reportagem, Lula acompanha de perto o andamento do caso e as críticas direcionadas ao magistrado. Em conversas com ao menos três auxiliares, o presidente fez comentários considerados duros sobre Toffoli, sugerindo, inclusive, que o ministro deveria renunciar ao cargo ou se aposentar.
Apesar do tom crítico, pessoas próximas ao presidente avaliam como improvável que ele venha a sugerir formalmente a saída de Toffoli do STF ou da relatoria do inquérito. Ainda assim, Lula demonstrou intenção de retomar o diálogo com o ministro, com quem já discutiu o tema no fim de 2025.
A insatisfação do presidente estaria relacionada ao desgaste institucional causado ao Supremo após a exposição de vínculos familiares de Toffoli com fundos conectados ao Banco Master. Também teria causado incômodo o nível de sigilo imposto ao processo e o receio de que a investigação não avance.
Em declarações a aliados, Lula tem reafirmado o compromisso do governo com o combate a fraudes, inclusive envolvendo figuras influentes. “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, afirmou o presidente em 23 de janeiro.
A reportagem indica ainda que há expectativa de que o caso afete políticos da oposição, embora haja risco de repercussão entre aliados governistas.
Lula teria demonstrado estranheza diante da decisão de Toffoli de impor sigilo a um pedido da defesa de Vorcaro para transferir o caso ao STF. A medida ocorreu pouco antes da revelação, pelo jornal O Globo, de que o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes mantinha um contrato mensal de R$ 3,6 milhões com o Banco Master.
Relatos indicam que, diante disso, o presidente passou a temer que o caso fosse encerrado sem punições. No final de 2025, Lula convidou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, acompanhado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de acordo com o jornal O Globo.
O encontro ocorreu na Granja do Torto, pouco tempo após o ministro Toffoli determinar sigilo absoluto sobre o processo envolvendo o Banco Master.
Apesar da conversa, não houve sinalização de mudanças por parte de Toffoli em relação ao andamento do processo.
Segundo esses relatos, Toffoli respondeu que o sigilo era justificável e que não haveria qualquer tentativa de encobrimento. Lula teria afirmado que o ministro faria “a coisa certa” e, conforme noticiado pelo colunista Lauro Jardim, sugeriu que a relatoria seria uma oportunidade para Toffoli “reescrever sua biografia”.
Contudo, novas revelações lançaram dúvidas sobre a condução do inquérito. Entre os pontos criticados estão o nível de sigilo, uma viagem de jatinho ao lado de um dos advogados do caso e relações comerciais entre familiares do ministro e um fundo ligado ao banco.
Toffoli teria afirmado a interlocutores que não vê razão para se afastar do processo, pois acredita não haver elementos que comprometam sua imparcialidade. O ministro também argumentou que, historicamente, o STF só reconheceu impedimentos quando houve autodeclaração dos próprios magistrados.
Indicado ao STF por Lula, Toffoli já protagonizou episódios de tensão com o presidente, como quando negou autorização para que ele comparecesse ao velório do irmão, em 2019, durante o período em que estava preso. O ministro se desculpou pelo episódio em dezembro de 2022, após a eleição de Lula.
