A Polícia Federal realiza nesta manhã de quarta-feira (14 de janeiro) a segunda fase da Operação Compliance Zero para investigar, novamente, o Banco Master do empresário Daniel Vorcaro.
As autoridades apuram prática de crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Ao todo, 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridos em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Também há medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam os R$ 5,7 bilhões.
A operação tem como objetivo interromper a atuação da organização criminosa, além de recuperar ativos.
Entenda
Em novembro, o ex-presidente do BRB e Daniel Vorcaro foram alvos da Operação Compliance Zero, que investiga a concessão de créditos falsos. As fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados.
O Banco Master enfrentava dificuldades devido ao alto custo de captação de recursos e à aplicação em ativos considerados arriscados, como precatórios e empresas em dificuldades. A instituição também era conhecida por oferecer CDBs com rendimento até 40% superior à taxa básica de juros.
Em março, o Banco de Brasília (BRB) anunciou a intenção de adquirir parte do Banco Master. O negócio, porém, foi rejeitado em setembro pela diretoria colegiada do Banco Central, sob alegação de ausência de documentos que comprovassem a viabilidade econômico-financeira da operação.
A proposta previa que o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, adquirisse 49% das ações ordinárias, 100% das ações preferenciais e 58% do capital total do Banco Master. O Cade havia aprovado a operação em junho, e a Câmara Legislativa do DF autorizou a compra por meio de projeto sancionado pelo governador Ibaneis Rocha.
Fraude
O caso envolvendo o Banco Master pode se configurar como a maior fraude bancária da história do país, disse nessa terça-feira (13) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo ele, o governo acompanha de perto a atuação do Banco Central (BC) e mantém diálogo permanente com a autoridade monetária desde a decretação da liquidação da instituição financeira.
“O caso [Master] inspira muito cuidado, podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país, podemos estar diante disso. Então temos que tomar todas as cautelas devidas, com as formalidades, garantindo todo o espaço para a defesa se explicar, mas, ao mesmo tempo, sendo bastante firmes em relação àquilo que tem que ser defendido, que é o interesse público”, disse o ministro ao chegar ao Ministério da Fazenda.
Haddad informou que tem conversado diariamente com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e fez questão de manifestar apoio público ao trabalho conduzido pelo BC no caso.
“Estou absolutamente seguro com o trabalho que o Galípolo e a equipe fizeram”, afirmou Haddad, durante conversa com jornalistas na portaria do Ministério da Fazenda, em Brasília.
“Eu já disse isso, é um trabalho muito robusto”, reforçou.
Haddad ressaltou que a condução do processo exige rigor técnico e transparência, diante da gravidade das suspeitas e do potencial impacto sobre o sistema financeiro nacional.
