Artes Visuais

Mostra na Caixa Cultural reúne obras do mineiro Fábio Baroli

A exposição propõe ao visitante uma experiência de desaceleração

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A Caixa Cultural Salvador exibe, de 5 de março a 10 de maio, a mostra “Hoje é de vez em quando”, de Fábio Baroli. Com 35 obras, a exposição aborda a percepção do tempo e valoriza memórias e saberes tradicionais. Entrada gratuita. Depois, segue para Fortaleza e São Paulo.

A Caixa Cultural Salvador apresenta, de 5 de março a 10 de maio, a exposição “Hoje é de vez em quando”, do artista mineiro Fábio Baroli.

Com curadoria de Agnaldo Farias, a mostra reúne 35 obras, entre pinturas e instalações, que discutem a percepção do tempo na contemporaneidade. A entrada é gratuita, com patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal.

A exposição propõe ao visitante uma experiência de desaceleração. Ao percorrer o espaço, o público é convidado a rever a ideia de tempo linear e a compreendê-lo como construção atravessada por memórias, afetos e modos de vida que podem desaparecer se não forem observados com atenção.

Essa perspectiva aparece em trabalhos como “Véia Dica”, inspirado na memória afetiva de uma parente do artista, benzedeira e artesã de colchas de fuxico. A obra remete a conhecimentos transmitidos oralmente ao longo de gerações, fora dos registros formais.

O projeto também dialoga com os desafios enfrentados pela arte no contexto atual. Baroli afirma que retratar o cotidiano do interior é uma forma de resistência. Segundo ele, abordar a vida no campo não significa idealizar o passado, mas destacar a existência de outros ritmos e formas de organização social e do trabalho.

Para o artista, esses saberes exigem tempo e convivência, valores frequentemente desconsiderados pela dinâmica contemporânea.

Após a temporada em Salvador, a mostra seguirá para outras unidades da Caixa Cultural, nas cidades de Fortaleza e São Paulo.

Natural de Uberaba, em Minas Gerais, Fábio Baroli é formado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília. Sua produção é influenciada pelas lembranças da infância no interior e pelas mudanças sociais e urbanas no Cerrado.

No Rio de Janeiro, desenvolveu trabalhos centrados na memória pessoal como ferramenta de reflexão sobre o presente e o futuro.

Sua obra combina pintura e instalação, com uso de paleta sóbria e referências a mestres como Édouard Manet e Diego Velázquez. Elementos de colagem e fragmentação são incorporados como forma de questionar impactos do mundo contemporâneo.

O artista direciona seu olhar para um Brasil cotidiano e pouco visível, marcado por saberes populares, comunidades tradicionais e modos de vida ameaçados.

Anote

Endereço: Caixa Cultural Salvador - Rua Carlos Gomes, 57, Centro
Data: 5 de março a 10 de maio de 2026
Visitação: terça-feira a domingo, das 9h às 17h30
Entrada: Gratuita