
Empresários, autoridades o alto escalão executivo da moda se mobilizam para reorganizar rotas comerciais em 2026, segundo o relatório “The State of Fashion 2026 – when the rules change” [O estado da moda 2026 – quando as regras mudam], divulgado pela McKinsey & Company. O estudo aponta agravamento do ambiente internacional após tarifas impostas pelos Estados Unidos em 2025, que afetaram relações diplomáticas e impactaram cadeias produtivas.
As medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos em 2025 obrigaram marcas e fornecedores a rever estratégias logísticas e comerciais. O novo cenário elevou o pessimismo entre líderes globais do setor. De acordo com o levantamento, 46% dos entrevistados preveem condições mais adversas para 2026.
Na comparação com o estudo anterior, o ceticismo avançou até 7 pontos percentuais. Apesar disso, a segmentação interna da indústria surge como mecanismo de adaptação diante da instabilidade nas trocas internacionais.
Dados de mercado indicam desempenhos distintos entre segmentos. No biênio 2024 e 2025, o setor de vestuário movimentou US$ 1,8 trilhão. No mesmo período, o mercado de tecnologia alcançou US$ 239 bilhões, enquanto o de modelos gerou US$ 7 bilhões, conforme informações da Grand View Research, Wise Guy Reports e Uniform Market.
Esse cenário é percebido na prática por Mônica Mota, empresária e gestora do segmento de agências de modelos. Em meio à reconfiguração das parcerias internacionais, ela recebeu em novembro representantes da IMG Models, responsável pelas carreiras de nomes como Hailey Bieber e Bella Hadid.
Segundo Mônica, a moda atravessa um ciclo de incertezas, influenciado por mudanças no comportamento do consumidor e por transformações na política internacional. Ela afirma que, nesse contexto, as agências de modelos ganharam relevância por meio da diversificação estratégica, prática adotada por empresas norte-americanas.
A empresária destaca que a Model Club Agency acompanha a expansão global mesmo estando situada na América do Sul, distante dos principais polos das semanas de moda. A agência foi criada em 1992, inicialmente instalada na Avenida 7 de Setembro.
Enquanto parte do setor demonstra preocupação, regiões como o Brasil voltaram a integrar fluxos comerciais relevantes. Inserida no grupo de 20% que, conforme a McKinsey, acreditam em melhora do setor em 2026, Mônica projeta crescimento para a indústria nacional nos próximos anos.
Relatório da Wise Guy Reports, intitulado “Modeling Agency Market Overview” [Panorama do mercado de agências de modelos], estima que o mercado global de agências de modelos poderá atingir US$ 12,4 bilhões na próxima década, praticamente o dobro do tamanho atual. Com atuação desde o início dos anos 1990, a Model Club Agency se destaca no Brasil pelo trabalho com talentos do Nordeste.
A América do Sul aparece como região em ascensão no setor, segundo a consultoria.
Paralelamente, Mônica ampliou a presença de suas modelos na América do Norte e na Europa, negociando com lideranças internacionais. Entre os resultados, a modelo Josefa Santos participou como rosto de semanas de moda em Milão e Paris.
A agência mantém foco na descoberta e no direcionamento específico de perfis. Cerca de 100 modelos passaram por formação profissional no escritório da empresa, incluindo treinamento de passarela, fotografia, aulas de inglês, comportamento, preparação para casting e consultoria.
Entre os nomes citados estão Josefa Santos, Camille Vitória, descoberta no Palco Coletivo 360º, Ana Lopes, Ana Cardoso, Bruna Luisy, Sophia Lisboa, Beatriz Conceição, Divaney Ferreira e Alan Macedo. Mônica afirma que a proposta da agência é ampliar o acesso ao mercado de moda no Nordeste, promovendo inclusão e representatividade.
O levantamento “Business of Fashion–McKinsey State of Fashion Executive Survey” [Negócios da moda-Pesquisa executiva O Estado da Moda da Business–McKinsey] mostra que executivos passaram a definir 2026 como um ano “desafiador”, substituindo o termo “incerto” utilizado anteriormente.
Apesar do crescimento anual estimado em 5% para o mercado de modelos, o segmento é considerado um dos mais exigentes e também um dos mais desejados por jovens.
Mônica relata que enfrentou obstáculos estruturais no início da trajetória, incluindo preconceito racial por ser mulher negra e desafios relacionados ao fato de seu sócio e marido, Acácio Santos, ser cadeirante. Segundo ela, o mercado era concentrado em grandes centros do Sul e Sudeste, com espaço limitado para diversidade, e havia percepção de que Salvador não possuía mercado consolidado de moda.
Após três décadas à frente da Model Club Agency, a empresária avalia que os desafios acompanham as transformações globais do setor. Enquanto a McKinsey projeta pressão crescente sobre empresários, ela atribui sua trajetória à aposta em formação, qualificação e desenvolvimento humano.
