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Mínimo de R$ 1.621 já está valendo

O salário mínimo é referência para 59,9 milhões de brasileiros

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Salário mínimo nacional sobe para R$ 1.621 em 1º de janeiro, com reajuste de 6,79% que considera inflação e ganho real limitado a 2,5%. Valor ficou abaixo do previsto no Orçamento. A mudança impacta 59,9 milhões de brasileiros e deve elevar os gastos públicos em R$ 43,2 bilhões em 2026.

A partir desta quinta-feira (1º), o salário mínimo nacional passa a ser de R$ 1.621, representando um reajuste de 6,79% sobre o valor anterior, de R$ 1.518. O aumento considera a inflação acumulada até novembro e um ganho real limitado pelas regras do novo arcabouço fiscal.

O novo valor ficou abaixo do previsto na Lei Orçamentária de 2026, que estipulava R$ 1.631, e da estimativa divulgada pelo governo no fim de novembro, de R$ 1.627. Isso ocorreu porque a inflação usada no cálculo final foi menor do que a projetada.

Benefícios sociais e trabalhistas atrelados ao salário mínimo, como o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), também passam a adotar o novo piso. Os pagamentos atualizados serão efetuados a partir de fevereiro.

Segundo a Constituição, o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir necessidades básicas do trabalhador e de sua família, como moradia, alimentação, saúde, educação e transporte, devendo ser reajustado periodicamente para preservar seu poder de compra. No entanto, dados do Dieese indicam que, em novembro, o valor ideal para sustentar uma família de quatro pessoas seria de R$ 7.067,18 — mais de quatro vezes o piso atual.

Durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, o reajuste do mínimo foi feito apenas com base na inflação. A política de valorização, com aumentos reais, foi retomada no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2023, o Congresso aprovou uma nova regra que inclui o crescimento do PIB dos dois anos anteriores no cálculo do reajuste.

Para 2026, a correção do salário mínimo foi feita considerando a inflação medida pelo INPC até novembro (4,18%) e um crescimento real limitado a 2,5%, conforme definido pela nova legislação fiscal. Com esses parâmetros, o valor final foi fixado em R$ 1.621.

O salário mínimo é referência para 59,9 milhões de brasileiros, segundo nota técnica do Dieese divulgada em janeiro. Isso inclui trabalhadores formais e beneficiários de programas sociais. O reajuste também impacta a economia de forma indireta, influenciando o salário médio e o poder de compra.

O aumento do salário mínimo acarreta crescimento das despesas públicas, já que vários benefícios não podem ser inferiores ao piso nacional.

Conforme estimativas oficiais, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo implica cerca de R$ 420 milhões adicionais nos gastos públicos em 2026. Assim, o reajuste de R$ 103 no valor mínimo representa um acréscimo aproximado de R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias do governo, reduzindo a margem para gastos discricionários.