Economia / Política

Insatisfação do brasileiro é alimentada pela alta dos preços

Essa percepção negativa é mais acentuada entre famílias de baixa renda

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Pesquisa Genial/Quaest de março de 2025 aponta que inflação e alta nos preços de alimentos, combustíveis e contas básicas são principais causas de insatisfação popular e desaprovação do governo Lula. A maioria relata perda de poder de compra e pessimismo econômico, apesar das medidas de isenção fiscal e subsídios adotadas.

A Pesquisa Genial/Quaest realizada em março de 2025 e divulgada nesta quarta-feira (2 de abril) revela que a economia e a inflação, especialmente em itens essenciais como alimentos, combustíveis e contas de serviços básicos, encontram-se entre as principais fontes de insatisfação do brasileiro e ajudam a ampliar a desaprovação do governo Lula.

A inflação é um dos principais pontos de insatisfação da população, especialmente no que diz respeito ao preço dos alimentos, combustíveis e contas de água e luz.

De acordo com a pesquisa:

65% dos entrevistados afirmam que o preço dos alimentos aumentou significativamente no último mês.

59% acreditam que o preço dos combustíveis subiu, mesmo com algumas tentativas do governo de controlar a alta através de subsídios e isenções temporárias.

62% apontam que as contas de água e luz ficaram mais caras nos últimos meses.

Essa percepção negativa é mais acentuada entre famílias de baixa renda e em regiões urbanas periféricas, onde o impacto da inflação é sentido de forma mais intensa.

Poder de compra em declínio

A pesquisa também demonstra uma preocupação generalizada com a diminuição do poder de compra. Quando questionados sobre como a situação financeira atual se compara com a de um ano atrás:

70% dos entrevistados afirmam que conseguem comprar menos com o mesmo dinheiro.

Apenas 18% acreditam que a situação melhorou, enquanto os demais consideram que o poder de compra permaneceu o mesmo.

A pesquisa também investigou as expectativas dos brasileiros para os próximos 12 meses.

51% dos entrevistados acreditam que a economia irá piorar nos próximos 12 meses.

Apenas 23% esperam uma melhora, enquanto 26% acreditam que a situação permanecerá a mesma.

Especialistas apontam que essa percepção negativa se deve, em parte, à falta de clareza nas políticas econômicas do governo e à dificuldade de se obter resultados concretos em curto prazo.

Além disso, os impactos da crise econômica global, com oscilações nos preços internacionais de commodities e questões relacionadas à cadeia de suprimentos, contribuem para o pessimismo da população.

Medidas econômicas do governo Lula

Desde que assumiu o cargo em janeiro de 2023, Lula anunciou uma série de medidas voltadas para a estabilização econômica e o controle da inflação.

Entre as principais ações estão:

Isenção de tarifas de importação sobre 11 produtos alimentícios essenciais, como arroz, feijão e carne, com o objetivo de reduzir os preços para o consumidor final.

Descontos e isenção no Imposto de Renda para pessoas com renda de até R$ 5.000 mensais, com a intenção de aliviar o custo de vida das famílias de baixa e média renda.

Subsídios temporários para combustíveis, visando controlar os aumentos repentinos no preço da gasolina e do diesel.

No entanto, a pesquisa indica que essas medidas ainda não foram percebidas como suficientes pela maioria da população.

Apenas 32% dos entrevistados afirmam que essas políticas ajudarão a reduzir os preços dos alimentos, enquanto 48% dizem não acreditar que as medidas surtirão efeito significativo.

Comparações com governos anteriores

Em relação ao governo anterior de Jair Bolsonaro, 44% dos entrevistados acreditam que a economia piorou, enquanto 29% consideram que está igual e apenas 27% afirmam que melhorou.

Em comparação com os primeiros mandatos de Lula (2003-2010), 54% dos entrevistados consideram que a economia está pior, enquanto 30% dizem que está igual e 16% acreditam que melhorou.

Essa percepção reflete tanto a crise econômica global quanto a dificuldade do governo atual em implementar políticas eficazes em curto prazo.

Inflação preocupa

O brasileiro começou o ano de 2025 mais preocupado com a inflação e com o aumento do custo de vida. A percepção de que os preços estão em elevação saltou de 74% em setembro de 2024 para 89% agora, o maior percentual em mais de dois anos.?

A opinião de que a inflação aumentou nos últimos seis meses é igual ou superior a 85% é generalizada e abrange todos os estratos sociodemográficos e regiões brasileiras.

Alimentos e outros produtos do abastecimento doméstico consolidam-se no primeiro lugar entre os itens mais impactados pela inflação. Algumas alterações foram observadas entre setembro e março como de maior peso na inflação: 74% indicam alimentos e outros produtos do abastecimento doméstico, 4 pontos a mais que na onda anterior (70%). O preço dos combustíveis assumiu a segunda posição entre os itens mais afetados (31%), à frente de saúde e medicamentos, agora em terceiro lugar (30%). ?

Os dados são revelados pela sétima edição da Pesquisa Redar Febraban, realizada entre os dias 19 e 21 de março 2025 com 2 mil pessoas nas cinco regiões do País.

O levantamento mostra que, por outro lado, a percepção com relação à vida pessoal e familiar se mostra praticamente estável em comparação a dezembro de 2024, com 72% de respostas para “satisfeito” ou “muito satisfeitos”.

Segundo a pesquisa, 80% dos brasileiros avaliam que nesse primeiro trimestre sua vida pessoal e familiar ou melhorou (41%) ou ficou igual (39%). Esse balanço representa um retorno aos patamares de abril de 2024 (melhorar: 41%; ficar igual: 41%) e abril de 2023 (melhorar: 41%; ficar igual: 38%), revelando uma tendência para esse período do ano.