Cinema

E hoje vamos falar de cinema nacional!

Confira a resenha exclusiva de Ana Marice Ladeia sobre Os 7 Prisioneiros

Foto: Divulgação
Os 7 prisioneiros

Assim que acabei de assistir “Os 7 Prisioneiros” (lançado na Netflix em novembro de 2021) senti que precisava escrever sobre esse filme! O incômodo causado por ele era visceral! Já sabia que o longa-metragem de Alexandre Moratto seria um “soco no estômago,” mas não esperava me angustiar tanto durante a exibição do filme.

A estória contada de uma forma aparentemente linear traz à tona a temática das “modernas” formas da velha questão da escravidão humana, dentro de uma engrenagem cada vez mais perversa, capitalista e desumana.

As questões éticas vão se materializando no desenrolar do filme e cada vez mais o espectador se angústia ao perceber que qualquer indivíduo é capaz de esquecê-la desde que questões inerentes a própria vida humana sejam postas à prova: sobrevivência e liberdade. Aliás o conceito de liberdade é questionado de forma cruel pelo personagem vilão, ou também será ele uma vítima do sistema social corrupto e predatório no qual se insere? Esta questão caberá ao espectador responder sem moralismo.

Os dois protagonistas vividos por Christian Malheiros e Rodrigo Santoro tem uma cumplicidade dramática perfeita. O desempenho de Rodrigo Santoro é espetacular. Investido do personagem Luca, ele se torna realmente um sujeito asqueroso, sujo e descabelado,  quase exalando pela tela o cheiro de graxa.  Olhe que é preciso ser muito talentoso para transformar o real Santoro, lindo e politicamente correto, com passado de personagens sofridos e amados, em alguém teoricamente odiável como o personagem  Luca.

O talento de Rodrigo Santoro vai além da perfomance de vilão, ele brilha na dualidade que cria em Luca, quando em algumas cenas com a família, mostra que por trás do vilão, existe um ser humano com sentimentos comuns a qualquer um de nós.

O final do filme para meu espírito romântico foi surpreendente e totalmente anti-maniqueísta e por que não dizer,   cruelmente real! E é nessa realidade crua que reside o maior incômodo e o maior desafio do filme. Vale a pena conferir.