Televisão

Ótimo momento para assistir séries de TV!

Com curadoria de Bruno Passos que indica e diz em quais canais

Foto: Divulgação
Séries de TV

Que momento para ser apreciador de filmes e séries! Nem nos maiores sonhos cinéfilos pensávamos em ter tanta coisa boa para assistir, seja nas telas de cinema ou em casa nos serviços de streaming. Desde que a "dona Netflix” chegou para revolucionar o mercado (lembra das primeiras séries dela que apareceram por aqui? Lilyhammer e House of Cards), uma bem-vinda avalanche de filmes e títulos chegou para atender a todos os gostos, mudando para sempre a forma de consumir o audiovisual.

É tanta coisa boa que fica até difícil de decidir sobre o que assistir. Como escolher? Na época das locadoras, tínhamos o cara do balcão, que normalmente via de tudo, para trocar uma ideia e ajudar na decisão, os jornais e as revistas especializadas também traziam os grandes lançamentos comentados.

E agora? Hoje quem exerce essa função é o bom e velho (ou novo) algoritmo dos serviços de streaming que, teoricamente, é capaz de “entender” o seu gosto e indicar o que assistir em seguida, logo em seguida mesmo... para você não tirar os olhos da tela. Mas será que ele entende mesmo? Eu nem arrisco a tentar entender como funciona essa tecnologia, o que eu sei é que não é infalível, uma vez que já me indicou em algum momento uma comédia de Adam Sandler assim que eu terminei um filme de Woody Allen.

Então, dá licença, senhor algoritmo, porque nada melhor que a boa e velha (essa, sim, velha) curadoria humana. Escolhi algumas séries que estão movimentando bem os streamings recentemente e fazendo sucesso de público e crítica. Um de cada uma das principais plataformas.

A Netflix topou um desafio pesado. Lançar um “Spin off” (derivado) de Breaking Bad, considerada por muitos, inclusive este que vos escreve, como a melhor série já feita. Desafio aceito e executado com excelência, “Better Call Saul”, série focada no excêntrico advogado Saul Goodman, que roubava todas as cenas na série original. O personagem é um daqueles advogados de índole duvidosa, que topa representar qualquer cliente e é “moralmente flexível” como diz um dos personagens.

Lá em Breaking Bad, Saul movimentava a trama, mas também fazia rir com os seus anúncios impagáveis (“Se beber não dirija..., mas se dirigir, é melhor chamar o Saul”). Agora, nesse derivado, temos a oportunidade de conhecermos a origem de toda essa excentricidade. A série já está na sua sexta, e última, temporada.

Na Apple TV +, o destaque é “Ruptura”, série que vem fazendo barulho na primeira temporada. Não é à toa, o conceito é muito interessante: numa empresa, em determinado setor, só trabalham funcionários que se submetem a um procedimento cirúrgico que separa as duas personalidades, a pessoal e a profissional. Assim, ninguém leva as “distrações” pessoais para o trabalho, nem o stress do trabalho para casa. Que loucura, não é? Que conceito absurdo! Será?

O atraente dessa série é que ela extrapola um conceito que é muito familiar para quem trabalha no meio coorporativo e já se viu obrigado a sacrificar momentos em família por motivos de trabalho e, por outro lado, para aqueles que “precisam” de um chopp bem gelado na sexta-feira à noite para, simplesmente, esquecer os “perrengues” daquela semana que passou num trabalho que mais suga do que enobrece. A série provoca toda essa reflexão e vai além, aprofundando esse universo em suspense e mistério.

Contar história sobre adolescentes é um problema. Sempre existe o risco de cair numa chatice de distribuir regras sobre um assunto que não se domina ou, pior ainda, “glamourizar” um tema que se quer combater (como foi o caso “Os 13 porquês”, que parece mais encorajar do que prevenir o suicídio. Lembrando que é uma opinião pessoal e não de um psicólogo especialista no caso). “Euphoria”, da HBO Max parece não cair em nenhuma dessas armadilhas, já que apresenta o universo com coerência, verdade e sabe apontar e atacar com segurança aquilo que quer criticar: a banalização da sexualização em tempos de internet, celular e nudes; Acesso fácil às drogas e à relação parental nessa fase conturbada da vida.

Esses temas são bem delicados, ainda mais se a série resolver focar apenas nisso, mas aqui, não, tudo funciona bem. Roteiro amarrado e cheio de viradas, interpretações fantásticas (palmas para a protagonista Rue, interpretada por Zendaya, a namorada do Homem Aranha nos filmes da Marvel), fotografia que ajuda a mostrar a luminosidade da vida escolar, mas também as sombras do submundo das drogas. E os personagens são bem desenvolvidos a ponto de você entender e se importar com eles.

Você já imaginou se a Liga da Justiça ou os Vingadores não fossem heróis cheio de valores e, sim, uma cambada de cafajeste, mercenários, interesseiros, assediadores e, ainda assim, vendessem a imagem de bom moço? Imaginou? Então, você imaginou “The Boys”, série da Prime Vídeo, que estreia a terceira temporada em junho. A série é politicamente incorreta, violentíssima, dramática e muito bem-humorada. Ver um universo habitado por seres superpoderosos comandados por uma megacorporação é uma ótima pedida para quem já está meio enjoado dos super-heróis da Marvel e da DC. 

Ok, muita gente já subverteu o universo dos super-heróis (“Watchmen, “Invencível”, “Esquadrão Suicida”), mas nenhum com tamanha irreverência e força. A série está recheada de personagens desprezíveis que o espectador ama odiar, justamente por serem bem desenvolvidos e com motivações bem claras, apesar de repugnantes.

No Star +, já está disponível a última temporada de “This Is Us”, aquela série que foi feita sob medida para te fazer chorar. Apresentando a história dos Pearsons em épocas diferentes, focando nos dramas dos trigêmeos na infância e na fase adulta. O roteiro tenta mostrar como os acontecimentos do passado o tornaram quem são no presente... e até em um pedacinho do futuro também. Essa jogada com o tempo é o que mais atrai nessa série, nos fazendo olhar a nossa própria história e como nos relacionamos com a vida, com a família e com o tempo que nos foi dado. Pegue uma caixa de lenços e aproveite.

Na Disney +, invista em “WandaVision”, que é uma série um pouco diferente do que estamos acostumados a ver de heróis nas telas. Aqui, para contar a história de Wanda Maximoff (a Feiticeira Escarlate), o roteiro passeia por diversas épocas da televisão. E cada uma dessas décadas é retratada de forma particular, tanto no texto quanto na estética... vale uma conferida.

No Globoplay, eu vou puxar a sardinha aqui para as nossas terras. “Sessão de Terapia”, como o próprio nome diz, acompanha Sessões de Terapia assustadoramente reais. Cada temporada acompanhamos um grupo de pacientes, inclusive o terapeuta (vivido a partir da quarta temporada por Selton Melo, que também dirige desde a primeira). Série que aborda e ensina sobre saúde mental.