
O PIB-Produto Interno Bruto (soma de todos os bens e serviços finais produzidos) cresceu 2,3% na Bahia, no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).
O resultado foi sustentado pela agropecuária, que avançou 5,7%, e pelos serviços, com alta de 2,8%. A indústria recuou 2,2%.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, considerando a série com ajuste sazonal, o PIB baiano aumentou 1,0%. No acumulado de janeiro a junho, a economia estadual cresceu 1,3% ante o primeiro semestre de 2025. Em 12 meses encerrados em junho, a expansão foi de 1,8%.
Em valores correntes, o PIB da Bahia somou R$ 154,7 bilhões entre abril e junho. Desse total, R$ 140,3 bilhões correspondem ao Valor Adicionado (VA) a preços básicos e R$ 14,4 bilhões aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.
Entre os três grandes setores, os serviços responderam por R$ 84,7 bilhões em Valor Adicionado no trimestre. A indústria somou R$ 29,1 bilhões, e a agropecuária, R$ 26,5 bilhões.
Bahia cresce mais que o Brasil
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o crescimento de 2,3% do PIB baiano ficou acima dos 2,0% registrados para a economia brasileira nos números reproduzidos pela SEI.
A composição dos resultados foi diferente. Na Bahia, a agropecuária cresceu 5,7% e os serviços avançaram 2,8%, enquanto a indústria recuou 2,2%. Para o Brasil, os dados apresentados pela SEI indicam altas de 6,8% na agropecuária, 1,5% na indústria e 1,5% nos serviços.
O Valor Adicionado da economia baiana aumentou 2,4%, ante 1,9% no país. Já os impostos sobre produtos líquidos de subsídios cresceram 0,6% na Bahia e 2,5% no Brasil.
No primeiro semestre, porém, a relação se inverteu. O PIB da Bahia cresceu 1,3%, enquanto a economia brasileira avançou 1,9%, de acordo com os números apresentados no relatório.

O desempenho industrial ajuda a explicar parte dessa diferença: enquanto o setor recuou 4,1% na Bahia entre janeiro e junho, os dados reproduzidos pela SEI apontam crescimento de 1,6% da indústria brasileira.
Agropecuária cresce 5,7%
A agropecuária teve o maior crescimento entre os três grandes setores da economia baiana no segundo trimestre: 5,7% em relação ao mesmo período de 2025. A mesma taxa foi registrada no acumulado do primeiro semestre.
Segundo a SEI, o desempenho está relacionado aos resultados da agricultura e da pecuária. Entre as culturas destacadas estão soja, milho, algodão, cacau e café.
As estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) reproduzidas no relatório apontam produção de 13,257 milhões de toneladas de grãos em 2026, alta de 3,2% em relação à estimativa de 12,840 milhões de toneladas para 2025.
A área plantada e a área colhida dos grãos apresentam aumento estimado de 1,8%, enquanto o rendimento médio projetado é 1,5% superior ao da safra anterior.
Entre os principais produtos, a produção de soja é estimada em 8,93 milhões de toneladas, alta de 3,8%. Para o milho, a projeção é de 2,802 milhões de toneladas, aumento de 2,3%. A produção de algodão é estimada em 1,845 milhão de toneladas, crescimento de 2,8%.
As maiores variações positivas entre as culturas destacadas aparecem no cacau e no café. A produção de cacau é estimada em 137 mil toneladas, alta de 15,4%, enquanto a de café pode alcançar 294 mil toneladas, avanço de 12,5%.
Em sentido contrário, a produção de cana-de-açúcar é estimada em 5,5 milhões de toneladas, queda de 11,9%. A mandioca deve recuar 3,8%, para 873 mil toneladas, e o feijão aparece praticamente estável, com redução estimada de 0,3%.
Indústria recua 2,2% no segundo trimestre
A indústria foi o principal setor a limitar o crescimento da economia baiana. Segundo a SEI, o Valor Adicionado industrial caiu 2,2% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior.
Duas das quatro atividades industriais analisadas apresentaram resultado negativo. A indústria de transformação recuou 4,3%, e a construção caiu 0,3%.
Na direção oposta, a indústria extrativa cresceu 6,0%, enquanto o segmento de eletricidade e água avançou 2,5%.
A comparação apresentada pela SEI também mostra diferença em relação ao desempenho nacional. A indústria de transformação brasileira recuou 0,9% no trimestre, ante queda de 4,3% na Bahia. A indústria extrativa cresceu 12,0% no Brasil e 6,0% no estado.
Em eletricidade e água, a Bahia avançou 2,5%, enquanto o resultado nacional foi negativo em 0,5%. Na construção, a Bahia recuou 0,3%, ante crescimento de 1,0% no Brasil.
Indústria acumula queda de 4,1% no semestre
Entre janeiro e junho, o Valor Adicionado da indústria baiana recuou 4,1% em relação ao mesmo período de 2025.
A indústria de transformação acumulou queda de 6,1%, enquanto a construção teve redução de 0,4%. Em contrapartida, a indústria extrativa cresceu 6,8%, e eletricidade e água avançaram 0,1%.
Dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reproduzidos no relatório da SEI, mostram quedas em diferentes atividades da indústria de transformação no primeiro semestre.
Entre os segmentos destacados, máquinas, aparelhos e materiais elétricos tiveram retração de 37,4%. Couros e calçados recuaram 20,2%; derivados de petróleo, 8,6%; metalurgia, 7,5%; outros produtos químicos, 4,4%; produtos de borracha e plástico, 3,7%; bebidas, 3,6%; e celulose, papel e produtos de papel, 3,4%.
Na direção oposta, a fabricação de produtos alimentícios cresceu 7,2%. Segundo o relatório, contribuíram para o resultado a maior fabricação de leite em pó, cacau ou chocolate em pó e carnes e miudezas de aves congeladas. Produtos de minerais não metálicos também tiveram alta, de 1,8%.
Serviços avançam 2,8%, com alta do comércio
O setor de serviços, responsável pelo maior Valor Adicionado da economia baiana, cresceu 2,8% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2025, segundo a SEI.
Entre as atividades detalhadas, o comércio avançou 3,4%; as atividades imobiliárias, 2,3%; a administração pública, 1,8%; e os transportes, 1,5%. O agrupamento denominado “outros serviços” cresceu 4,0%.
Esse grupo reúne, entre outras atividades, alojamento e alimentação; informação e comunicação; atividades financeiras e de seguros; serviços profissionais, científicos, técnicos e administrativos; educação e saúde mercantis; artes, cultura e recreação; outros serviços e serviços domésticos.
Na comparação apresentada pela SEI, o comércio baiano cresceu mais que o nacional no trimestre: 3,4% ante 0,9%. Transportes avançaram 1,5% na Bahia e 1,2% no Brasil. Nas atividades imobiliárias, as taxas foram de 2,3% e 2,2%, respectivamente. A administração pública cresceu 1,8% na Bahia e 0,9% no país.
Serviços acumulam alta de 2,7% no primeiro semestre
No primeiro semestre, o Valor Adicionado dos serviços cresceu 2,7% na Bahia. O comércio avançou 3,6%; outros serviços, 3,5%; atividades imobiliárias, 2,4%; transportes, 2,3%; e administração pública, 1,5%.
Indicadores do comércio reproduzidos pela SEI mostram crescimento de 3,5% no comércio varejista e de 5,2% no comércio varejista ampliado entre janeiro e junho, em relação ao mesmo período de 2025.
Entre as atividades detalhadas no relatório, o maior crescimento foi registrado no atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, com 20,1%. Equipamentos e material de escritório, informática e comunicação avançaram 12,4%.
Hipermercados e supermercados cresceram 5,5%, enquanto combustíveis e lubrificantes avançaram 3,6%.
Entre os resultados negativos, tecidos, vestuário e calçados recuaram 11,0%, e livros, jornais, revistas e papelaria tiveram queda de 5,2%.

PIB soma R$ 297 bilhões no primeiro semestre
Em valores correntes, o PIB da Bahia somou R$ 297 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo a SEI. Desse total, R$ 263,3 bilhões correspondem ao Valor Adicionado e R$ 33,7 bilhões aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.
Os serviços responderam por R$ 172,6 bilhões em Valor Adicionado no período. A indústria somou R$ 58,3 bilhões, e a agropecuária, R$ 32,3 bilhões.
Em termos reais, na comparação com o primeiro semestre de 2025, a agropecuária cresceu 5,7% e os serviços avançaram 2,7%. A indústria recuou 4,1%, contribuindo para limitar o crescimento do PIB estadual a 1,3%.
O Valor Adicionado total aumentou 1,5%, enquanto os impostos sobre produtos líquidos de subsídios recuaram 0,2%.

