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Argentinos reconhecem 'abismo' entre sua Seleção e a da Espanha

A imprensa espanhola entendeu que a pequena diferença no placar não representou o que aconteceu durante o jogo

Foto: Ilustração GPT Imagens IA
A Espanha engoliu a Argentina e se tornou bicampeã mundial de futebol

Os jornalistas argentinos consideram que a Seleção da Argentina foi valente, disciplinada e resistente, mas apresentou uma atuação tecnicamente insuficiente diante da Espanha, na final da Copa do Mundo 2026, nesse domingo (19 de julho)..

Os comandados pelo técnico Lionel Scaloni não conseguiram controlar a bola, construir ataques nem oferecer perigo constante.

Para os jornalistas argentinos, Emiliano Martínez evitou uma derrota mais ampla, enquanto lesões, desgaste e expulsão tornaram a tarefa ainda mais difícil.

A Espanha foi considerada campeã justa e claramente superior, embora a disposição argentina para competir até o último minuto tenha preservado uma avaliação respeitosa sobre a equipe e sua campanha.

A cobertura espanhola também analisou a partida vencida pela Espanha por 1 a 0 na prorrogação, apresentando um tom predominantemente celebratório. Quanto à atuação argentina, a avaliação central foi clara: a equipe de Lionel Scaloni ofereceu resistência defensiva e competitividade, mas foi dominada tecnicamente, produziu pouco no ataque e dependeu excessivamente de Emiliano Martínez. 

A imprensa espanhola entendeu que a pequena diferença no placar não representou o que aconteceu durante o jogo.

O que disseram os jornais argentinos

O Olé resumiu a partida com a ideia de que a Argentina “deixou tudo” e “caiu de pé”, mas classificou a Espanha como campeã merecida e destacou que houve uma diferença significativa entre as equipes.

O Página|12 foi igualmente direto: afirmou que o gol espanhol estabeleceu uma vantagem pequena no placar, embora a superioridade no desenvolvimento da partida tenha sido muito maior.

O TyC Sports adotou o diagnóstico mais severo, afirmando que os números mostraram uma superioridade espanhola “abismal”. Segundo o veículo, a Espanha teve 65% da posse de bola, completou 852 passes contra 464 da Argentina e produziu 20 finalizações. A equipe argentina terminou com apenas dois arremates, nenhum deles exigindo uma defesa do goleiro Unai Simón.

A cobertura considerou que a seleção de Lionel Scaloni conseguiu preservar o empate durante grande parte do confronto, mas quase sempre esteve submetida ao controle espanhol.

O La Nación descreveu uma Argentina organizada defensivamente, porém incapaz de recuperar a bola com regularidade, construir ataques ou incomodar o goleiro adversário. O jornal observou que a equipe terminou os 90 minutos sem uma finalização ao gol e dependeu principalmente da resistência de sua defesa e de Emiliano Martínez.

O El Gráfico apresentou interpretação semelhante: a estratégia argentina consistiu em esperar e tentar explorar a velocidade de Julián Álvarez e Nicolás González, mas a Espanha assumiu o domínio, especialmente no segundo tempo. O veículo destacou que a Argentina chegou ao fim do tempo regulamentar sem chutes ao gol.

Houve amplo consenso de que Emiliano “Dibu” Martínez foi o melhor jogador argentino e o responsável por manter a equipe na disputa até a prorrogação.

O goleiro realizou 11 defesas, número que o TyC Sports apresentou como recorde para uma final de Copa do Mundo.

O Clarín afirmou que Martínez fez sua melhor atuação no torneio e sustentou um objetivo que parecia cada vez mais difícil diante da pressão espanhola. O jornal também valorizou a atuação defensiva de Nicolás Tagliafico.

O Infobae considerou que o goleiro manteve a Argentina viva, mas observou que a equipe não conseguiu oferecer uma resposta ofensiva equivalente. Sua primeira finalização efetivamente dirigida ao gol espanhol ocorreu apenas nos acréscimos da prorrogação.

A cobertura avaliou que Lionel Messi ficou isolado e participou pouco da construção ofensiva. A Argentina raramente conseguiu recuperar a bola em condições favoráveis ou aproximar jogadores do capitão.

O Página|12 observou que Messi entrou pouco no jogo.

O La Nación também registrou que a seleção teve dificuldades para fazê-lo participar das jogadas decisivas e passou longos períodos sem conseguir avançar com a bola dominada.

O tratamento dado a Messi, entretanto, foi mais melancólico do que acusatório. Os veículos relacionaram seu rendimento limitado ao domínio espanhol, à pouca produção coletiva argentina e ao desgaste acumulado, e não apenas a uma atuação individual ruim.

A imprensa também enfatizou as circunstâncias que agravaram a situação argentina. Lisandro Martínez e Cristian Romero, os dois zagueiros titulares, deixaram o jogo lesionados. Enzo Fernández foi expulso por receber o segundo cartão amarelo, obrigando a equipe a disputar a prorrogação com dez jogadores.

O Infobae acrescentou que a Argentina chegou fisicamente desgastada depois de partidas anteriores decididas na prorrogação ou nos minutos finais. Para o portal de notícias, esse desgaste ajudou a explicar por que o time teve tão pouca capacidade para pressionar, recuperar a bola e contra-atacar. Mesmo assim, o veículo considerou a vitória espanhola merecida.

Esses fatores foram apresentados como explicações relevantes, mas não como justificativas suficientes para negar a superioridade espanhola.

Apesar das críticas ao desempenho técnico, a maioria dos veículos evitou transformar o vice-campeonato em fracasso. Expressões como “caiu de pé”, “lutou até o fim” e “resistiu até onde pôde” apareceram de maneira recorrente.

O El Gráfico valorizou a reação final, quando a Argentina, mesmo com dez jogadores, tentou buscar o empate.

O Infobae ressaltou o “amor-próprio” demonstrado nos minutos finais e considerou que a derrota não apagava a campanha realizada no torneio.

O que disseram os jornais da Espanha

O La Vanguardia classificou a vitória como incontestável e recorreu às estatísticas para sustentar essa interpretação: a Espanha ultrapassou 20 finalizações e aproximadamente 800 passes, enquanto a Argentina ficou perto de uma finalização e 400 passes.

O El Español empregou a expressão “controle total” e afirmou que a Espanha dominou praticamente do início ao fim. Segundo o veículo, a Argentina quase não ameaçou o goleiro Unai Simón. Os dados gerais registraram 65% de posse espanhola e 20 finalizações contra apenas duas argentinas, nenhuma delas dirigida ao gol.

O El País apresentou interpretação semelhante: a Argentina conseguiu resistir durante determinado período, mas acabou superada tática e emocionalmente, sobretudo na parte final do tempo regulamentar e na prorrogação.

Os veículos espanhóis consideraram que Scaloni adotou uma estratégia baseada principalmente na contenção, na intensidade física e na expectativa de aproveitar erros do adversário.

Antes da partida, o El Español já havia descrito o confronto como uma oposição entre a criatividade coletiva da Espanha e o pragmatismo da Argentina. Depois do jogo, o portal de notícias entendeu que a equipe argentina confirmou esse comportamento: protegeu sua área, reduziu espaços e tentou sobreviver, mas não conseguiu sustentar ataques nem assumir o controle da partida.

O AS destacou que Scaloni modificou três posições em relação à semifinal. A leitura implícita era de que o treinador procurava reforçar a capacidade de combate e bloquear os corredores utilizados pela Espanha. O plano funcionou parcialmente na contenção, mas não proporcionou uma resposta ofensiva.

Para parte dos comentaristas da Cadena SER, apenas a Espanha demonstrou disposição para construir o jogo e procurar a vitória. Essa corrente de opinião foi particularmente crítica ao comportamento excessivamente defensivo dos argentinos.

Mesmo nos textos mais críticos, houve reconhecimento da atuação de Emiliano “Dibu” Martínez. A imprensa espanhola considerou que o goleiro foi o principal responsável por levar o empate até a prorrogação.

A Cadena SER destacou suas intervenções e afirmou que suas defesas retardaram a definição da partida.

O La Vanguardia, ao mostrar a enorme diferença no número de finalizações, também reforçou indiretamente o papel decisivo do goleiro argentino.

A avaliação predominante foi que Martínez preservou artificialmente o equilíbrio do placar. Sem sua atuação, segundo essa leitura, a superioridade espanhola poderia ter resultado em uma vitória mais ampla.

A cobertura espanhola concedeu atenção especial à provável despedida de Lionel Messi das Copas do Mundo. O tom, nesse ponto, foi menos hostil e mais simbólico.

O El Español descreveu a partida como o “último baile” de Messi e afirmou que o argentino foi anulado pelo sistema defensivo espanhol. O jogador encontrou pouco espaço entre as linhas, recebeu poucas bolas em condições favoráveis e não conseguiu determinar o ritmo da equipe.

O diagnóstico não atribuiu toda a responsabilidade ao capitão. A leitura mais frequente foi que a Espanha neutralizou Messi coletivamente e que a organização argentina não conseguiu aproximar os demais atacantes. A equipe ficou dividida entre uma defesa muito recuada e jogadores ofensivos isolados.

Em alguns textos, Messi foi tratado como exceção positiva na avaliação do comportamento argentino após o jogo, especialmente por ter cumprimentado jogadores espanhóis.

A expulsão de Enzo Fernández, aos 93 minutos, apareceu como um momento importante. O cartão vermelho deixou a Argentina com dez jogadores durante a prorrogação e ampliou o controle espanhol.

Apesar disso, os jornais não consideraram que a expulsão tenha sido a causa principal da derrota. A percepção era de que a Espanha já exercia domínio territorial e técnico antes do episódio. A inferioridade numérica apenas tornou mais difícil a manutenção da estratégia defensiva argentina.

Houve ríticas à dureza e ao comportamento após a derrota. Esse foi o ponto em que a cobertura espanhola mais se afastou do tom relativamente respeitoso empregado pelos veículos argentinos.

O El País publicou uma reportagem dedicada ao que classificou como “mal perder” da Argentina. O texto criticou a sucessão de faltas, as discussões e os confrontos ocorridos depois do apito final. Também censurou o fato de jogadores argentinos terem permanecido de costas durante parte da cerimônia de premiação da Espanha.

A Cadena SER deu amplo destaque aos incidentes envolvendo Leandro Paredes e outros jogadores, além de criticar o comportamento argentino durante a entrega dos troféus. Alguns comentaristas também afirmaram que o árbitro havia tolerado excessivamente a dureza da Argentina.

Em conteúdo de tom mais informal, a RTVE Playz chegou a caracterizar a atuação argentina como marcada por “jogo sujo”. Essa formulação representa uma abordagem opinativa e mais exaltada, não necessariamente o tom institucional de toda a cobertura da RTVE.

Apesar das críticas, a imprensa espanhola não apresentou a Argentina como um adversário frágil.

Antes da decisão, a RTVE descreveu a equipe como perigosa em partidas fragmentadas, capaz de transformar o confronto em uma sucessão de duelos e de sobreviver até encontrar uma oportunidade. Também ressaltou a capacidade argentina de reagir em situações adversas.

A Cadena SER chegou a considerar a Argentina o segundo conjunto mais consistente da competição, atrás apenas da própria Espanha.

Essa reputação ajuda a explicar por que, mesmo diante de uma partida desequilibrada, os espanhóis mantiveram certa cautela até o gol. A Argentina havia construído sua campanha com resistência, recuperação emocional e decisões nos minutos finais.

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Inteligência Artificial foi utilizada na preparação desta reportagem