O Observatório Lupa analisou 115 conteúdos fraudulentos virais que circularam no Brasil entre 1º de maio de 2024 e 30 de abril de 2026
No ciclo mais recente, entre maio de 2025 e abril de 2026, o Pix apareceu em 33% dos golpes analisados
As fraudes costumam combinar marcas conhecidas, promessa de vantagem financeira, fatos reais distorcidos e circulação por WhatsApp
Golpes online que usam marcas conhecidas, promessa de dinheiro fácil e pagamentos por Pix se consolidaram como uma das fórmulas mais recorrentes entre fraudes digitais no Brasil.
A conclusão está na segunda edição do relatório A Jornada dos Golpes, divulgado nesta quarta-feira (17 de junho) pelo Observatório Lupa, núcleo de pesquisa da Agência Lupa.
O estudo analisou 115 conteúdos fraudulentos virais que circularam no país entre 1º de maio de 2024 e 30 de abril de 2026. No ciclo mais recente, de maio de 2025 a abril de 2026, o Pix esteve presente em 33% dos golpes avaliados, acima dos 25% registrados no período anterior.
Segundo o levantamento, 71% dos golpes prometiam algum tipo de vantagem financeira e 74% exploravam a credibilidade de empresas ou personalidades conhecidas para parecerem legítimos.
Como funciona a fórmula mais comum dos golpes
De acordo com o Observatório Lupa, os criminosos não dependem de esquemas inéditos para atrair vítimas. Eles reaproveitam formatos que já funcionaram e adaptam a narrativa ao assunto do momento.
Entre os modelos mais recorrentes estão:
-- Falsas promoções
-- Supostas indenizações
-- Vagas de emprego fraudulentas
-- Benefícios sociais inexistentes
-- Brindes apresentados como gratuitos
-- Cobranças de taxas para liberar prêmios, descontos ou valores
Esses golpes costumam aparecer em datas comemorativas, períodos de maior consumo e momentos em que determinados temas estão em destaque no noticiário. Segundo a Lupa, essa previsibilidade também cria oportunidade para campanhas de prevenção mais eficientes.
Fatos reais ajudam a dar aparência de verdade
Uma das principais estratégias dos golpistas é partir de uma informação verdadeira e distorcê-la. O relatório aponta que 66% dos golpes analisados no ciclo mais recente usaram fatos reais para construir narrativas enganosas, ante 55% no período anterior.
Essa prática pode envolver a manipulação de reportagens, comunicados oficiais, campanhas legítimas, decisões judiciais, programas governamentais e páginas institucionais. O objetivo é fazer com que a fraude pareça autêntica à primeira vista.
Mais de 15 empresas de varejo, bancos, marketplaces e plataformas digitais tiveram suas marcas usadas indevidamente. Mercado Livre e Nubank foram as marcas mais citadas, com quatro ocorrências cada. Shopee, Serasa e Rede Globo também aparecem entre os nomes explorados por criminosos.
Além de empresas, os golpes também usam imagens de personalidades públicas, jornalistas, médicos e influenciadores para reforçar a sensação de credibilidade.
WhatsApp aparece como principal canal de circulação
O estudo indica que muitos golpes começam em redes sociais abertas, como Facebook, Instagram e TikTok. Depois, os usuários são direcionados para ambientes mais fechados, como formulários online e aplicativos de mensagem.
Entre maio de 2025 e abril de 2026, o WhatsApp apareceu em quase 65% dos golpes analisados, segundo a Agência Brasil. Nesses casos, as mensagens costumam prometer dinheiro, benefícios, promoções ou brindes e direcionar a vítima a links ou pagamentos.
O Pix aparece como peça importante nesses esquemas porque costuma ser apresentado como única forma de pagar uma suposta taxa para liberar benefícios, indenizações, brindes ou descontos que não existem.
Sinais de alerta para identificar o golpe
Desconfie quando uma mensagem:
-- Promete dinheiro fácil, brinde ou indenização inesperada
-- Usa nome de empresa famosa, banco ou órgão público sem link oficial
-- Exige pagamento por Pix para liberar benefício
-- Cria urgência, como “últimas vagas” ou “resgate hoje”
-- Pede dados pessoais em formulário desconhecido
-- Chega por corrente de WhatsApp ou anúncio em rede social
-- Mistura uma notícia real com uma oferta que não aparece nos canais oficiais da marca
Antes de pagar ou preencher dados, o ideal é procurar a informação no site oficial da empresa ou instituição citada.
Plataformas digitais entram no debate
O relatório também chama atenção para a responsabilidade das plataformas digitais na circulação e monetização de conteúdos fraudulentos.
Para Beatriz Farrugia, analista de pesquisa da Lupa responsável pelo levantamento, o enfrentamento dos golpes exige atuação coordenada entre empresas de tecnologia, instituições financeiras, órgãos públicos, veículos de imprensa e usuários.
Segundo ela, os golpes digitais não são aleatórios: eles seguem padrões relativamente estáveis de narrativa, distribuição e monetização. Entender esses padrões, afirma a pesquisadora, aumenta a chance de antecipar ameaças e proteger usuários.

