Saúde

São João: pacientes renais devem planejar diálise antes de viajar

Quem faz hemodiálise ou diálise peritoneal precisa organizar o tratamento com antecedência

Foto: Ilusstração GPT Imagens IA
Na Bahia, 9.841 pessoas realizam hemodiálise regularmente em clínicas e hospitais
Pacientes que pretendem viajar no São João precisam conversar antes com a equipe médica para evitar interrupção do tratamento
Higiene, transporte de insumos, vaga para hemodiálise em trânsito, alimentação e hidratação exigem atenção durante a viagem
A Bahia tinha 9.841 pessoas em hemodiálise regular e 215 em diálise peritoneal, segundo dados da Sesab divulgados em 2025

Pacientes com doença renal crônica que dependem de diálise podem viajar no período de São João, mas precisam planejar o deslocamento com antecedência para não interromper o tratamento.

A orientação vale para quem faz diálise peritoneal em casa e para pacientes em hemodiálise, que podem precisar agendar sessões temporárias em outra clínica.

Na Bahia, 9.841 pessoas realizavam hemodiálise regularmente em clínicas e hospitais, enquanto 215 faziam diálise peritoneal, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) divulgados em 2025 pela Sociedade Brasileira de Nefrologia — Regional Bahia (SBN-BA).

A nefrologista Manuela Lordelo orienta que o planejamento comece antes do deslocamento, principalmente porque o tratamento precisa ser mantido mesmo durante festas, viagens e mudanças temporárias de rotina.

“Para os pacientes que realizam diálise peritoneal, viajar é possível, mas exige organização prévia. Por isso, é fundamental conversar com a equipe médica com antecedência para alinhar o roteiro, garantir o envio dos insumos necessários ao destino e verificar se o local de hospedagem oferece condições adequadas de higiene e armazenamento do material. O tratamento não entra em recesso durante os festejos. O paciente precisa manter a rotina prescrita e ter um plano para lidar com qualquer intercorrência”, afirma Manuela.

Diálise peritoneal exige higiene e insumos extras

No caso da diálise peritoneal, as trocas devem ser feitas em ambiente limpo, seguro e adequado para o procedimento. A recomendação é evitar improvisos e manter, durante a viagem, os mesmos cuidados adotados em casa.

Entre as medidas necessárias estão a higienização rigorosa das mãos, o uso de superfícies adequadas e a organização prévia dos materiais. A médica também recomenda levar medicamentos e insumos em quantidade extra, além de manter contatos de referência para emergências.

Hemodiálise em trânsito depende de vaga

Pacientes que fazem hemodiálise em clínicas ou hospitais precisam organizar a continuidade das sessões antes de viajar. Uma das alternativas é a hemodiálise em trânsito, que permite ao paciente realizar temporariamente o tratamento em outra unidade.

Esse atendimento deve ser solicitado com antecedência e depende da disponibilidade de vaga na clínica de destino. Também pode ser necessário enviar documentação clínica, relatório médico e exames atualizados, conforme exigência da unidade.

“Quanto mais cedo o paciente iniciar esse processo, maiores são as chances de conseguir manter o tratamento sem interrupções durante a viagem”, diz Manuela.

A Sociedade Brasileira de Nefrologia também orienta que pacientes em hemodiálise conversem com o nefrologista e com o serviço social da clínica antes de viajar, além de levar documentos médicos e manter os cuidados com dieta e ingestão de líquidos.

Comidas típicas pedem moderação

A alimentação é outro ponto de atenção para pessoas com doença renal crônica durante o São João. Alimentos como milho, amendoim, embutidos, caldos industrializados e preparações muito salgadas ou ricas em potássio e fósforo devem ser consumidos com moderação, de acordo com a orientação individual de cada paciente.

A recomendação é respeitar os limites de hidratação definidos pelo nefrologista, evitar excessos e priorizar preparações caseiras.

“A celebração pode ser aproveitada, mas sem descuidar da alimentação e das restrições indicadas para cada estágio da doença renal”, afirma a nefrologista.