A primeira proposta já havia sido recusada em maio, também sob o argumento de que não trazia elementos novos
A Procuradoria-Geral da República ainda mantém negociações, enquanto o caso segue no Supremo Tribunal Federal
A decisão da PF já foi comunicada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal
A Polícia Federal rejeitou, nessa quinta-feira (11 de junho), a segunda proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A avaliação da PF foi de que o material não acrescentou fatos novos nem elementos suficientes para sustentar um acordo. A Procuradoria-Geral da República ainda analisa a proposta, e a recusa da PF não equivale a condenação nem encerra a investigação.
A Polícia Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal que rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo a Folha de S.Paulo, os investigadores avaliaram que a nova versão não trouxe novidades em relação ao que já havia sido apurado e não apontou crimes cometidos por parceiros com força suficiente para justificar benefícios ao investigado.
A Agência Brasil informou que a decisão foi comunicada ao ministro André Mendonça, relator das investigações no STF, e que a Procuradoria-Geral da República ainda analisa a proposta de colaboração.
Por que a PF recusou a proposta
O principal entrave foi a falta de corroboração. Em acordos de colaboração premiada, não basta o investigado relatar suspeitas ou citar personagens: é preciso apresentar documentos, registros, mensagens, comprovantes ou outros elementos capazes de confirmar as informações.
A Lei 12.850/2013 define a colaboração premiada como meio de obtenção de prova que pressupõe utilidade e interesse público. A norma também prevê que a defesa deve instruir a proposta com fatos descritos, circunstâncias e elementos de corroboração.
Segundo a Folha, investigadores afirmam que Vorcaro tem dificuldade para comprovar parte dos relatos, sobretudo por estar preso e depender de documentos do banco para sustentar o que pretende declarar.
A PGR ainda pode negociar?
Sim. A rejeição da PF não encerra, por si só, todas as possibilidades de acordo. A PGR pode conduzir a negociação de forma própria, embora também tenha demonstrado preocupação com a necessidade de confirmação das provas apresentadas.
Na prática, há três caminhos possíveis: a PGR pode rejeitar a proposta, pedir ajustes ou avançar em uma negociação independente. Se houver acordo, ele ainda precisará passar por controle judicial, com análise sobre legalidade, regularidade e voluntariedade.
Como o caso se conecta ao Banco Master
Vorcaro é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
A operação completou seis meses em maio de 2026 e já havia resultado em bloqueios e sequestros de bens próximos de R$ 27,71 bilhões.
A apuração envolve suspeitas de fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro e a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, banco público ligado ao Governo do Distrito Federal.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Daniel Vorcaro já negou irregularidades atribuídas ao ex-banqueiro em reportagens anteriores. As advogados afirmaram que ele não cometeu fraude, não intimidou jornalistas, não cooptou agentes públicos e não atuou para interferir no trabalho das autoridades.
A rejeição da proposta pela PF não significa condenação. Vorcaro segue investigado e tem direito à defesa. Eventuais acusações dependem de denúncia, análise judicial e produção de provas no processo.

O que pode acontecer agora
A tendência imediata é que a PGR decida se seguirá negociando, se pedirá ajustes ou se também recusará a proposta. Para a PF, a segunda recusa reforça a exigência de provas verificáveis. Para Vorcaro, aumenta a pressão por documentos e relatos capazes de acrescentar algo novo à investigação.
Para o STF e a PGR, o ponto central é separar informações úteis para a apuração de acusações sem sustentação suficiente.
Um resumo dos fatos
A PF rejeitou a delação de Daniel Vorcaro?
Sim. A Polícia Federal rejeitou a segunda proposta de colaboração premiada apresentada pelo ex-controlador do Banco Master.
A PGR também rejeitou?
Ainda não havia decisão final da PGR nas fontes consultadas. O órgão seguia analisando a proposta.
Por que a proposta foi recusada?
Segundo reportagens sobre o caso, a PF viu falta de fatos novos e de elementos de corroboração suficientes para justificar um acordo.
A recusa significa que Vorcaro foi condenado?
Não. A recusa da proposta de delação não é condenação. Ele segue investigado e tem direito à defesa.

