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EUA e Irã trocam novos ataques
e ameaçam a trégua no Golfo

A troca de ataques complica a mediação diplomática e aumenta a pressão sobre o preço do petróleo

Escalada pressiona negociações e mercado de petróleo
Os Estados Unidos atacaram defesas aéreas, radares e estações de controle iranianas perto do Estreito de Ormuz
O Irã disse ter lançado mísseis e drones contra alvos ligados a bases americanas na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein

Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques entre terça-feira, 9 de junho, e quarta-feira, 10 de junho de 2026, em uma nova escalada militar no Golfo.

A ofensiva americana ocorreu após a queda de um helicóptero Apache do Exército dos EUA perto do Estreito de Ormuz, episódio que o presidente Donald Trump atribuiu ao Irã.

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, o CENTCOM, forças americanas atacaram defesas aéreas, estações de controle em solo e radares de vigilância iranianos próximos ao Estreito de Ormuz. O comando descreveu a operação como uma resposta de autodefesa a ataques recentes contra forças americanas e embarcações comerciais na região.

O Irã respondeu afirmando ter atacado alvos ligados a bases americanas na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein.

A versão dos Estados Unidos

Washington afirma que os ataques contra o Irã foram de autodefesa. O CENTCOM disse que aviões da Força Aérea e da Marinha dos EUA usaram munições de precisão contra defesas aéreas, estações de controle e radares iranianos perto do Estreito de Ormuz.

Agências internacionais informaram que a operação americana durou cerca de quatro horas e que uma autoridade dos EUA afirmou que quase 20 alvos iranianos foram atingidos. O governo americano também disse que os dois tripulantes do Apache foram resgatados.

Trump afirmou que o Irã demorou demais para negociar um acordo e disse que Teerã “pagaria o preço”. A declaração aumentou a incerteza sobre a continuidade das negociações.

A versão do Irã

O Irã classificou os ataques americanos como violação de sua soberania e afirmou ter direito de responder. 

A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que atacou bases americanas no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia com drones e mísseis. Não foi possível verificar de forma independente todos os relatos de campo.

Por que Ormuz é decisivo

O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes do comércio global de energia. Ele liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, sendo usado por exportadores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Iraque, Bahrein e Irã.

A Agência Internacional de Energia afirma que cerca de 25% do comércio marítimo mundial de petróleo passou por Ormuz em 2025. A agência também diz que as alternativas para contornar o estreito são limitadas, especialmente para países que dependem dessa rota para exportar petróleo e gás.

Essa dependência explica por que ataques perto de Ormuz têm impacto global. O barril de referência internacional era negociado acima de US$ 92 em 10 de junho, alta superior a 25% desde o início da guerra.

Negociação fica mais difícil

A nova troca de ataques ocorre enquanto diplomatas tentavam manter abertos canais de negociação. Uma delegação do Catar chegou a Teerã para discutir esforços diplomáticos, enquanto Catar e Paquistão atuavam como mediadores indiretos entre Washington e Teerã.

Os pontos de divergência continuam profundos. Os Estados Unidos dizem querer garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares. O Irã nega essa intenção e cobra alívio de sanções, liberação de ativos congelados e reconhecimento de seu papel sobre o Estreito de Ormuz.

A crise também se conecta a outras frentes regionais. Israel intensificou ataques contra estruturas do Hezbollah no Líbano, enquanto o governo israelense mantém objetivos mais amplos contra a influência iraniana na região.

Riscos imediatos

O risco mais direto é uma sequência de retaliações. Nas últimas rodadas, ações iranianas contra bases ou rotas marítimas foram seguidas por ataques americanos a radares, defesas aéreas e centros de controle; em seguida, Teerã respondeu contra países que abrigam estruturas militares dos EUA.

Outro risco é a ampliação geográfica da crise. A inclusão da Jordânia nos alvos citados pelo Irã aumenta a preocupação com países que não estavam no centro imediato das primeiras trocas no Golfo. Kuwait e Bahrein também são estratégicos por abrigarem instalações militares ligadas aos Estados Unidos.

Há ainda impacto econômico. Enquanto Ormuz seguir instável, governos, empresas e consumidores podem enfrentar pressão sobre combustíveis, frete e produtos dependentes de energia.

O que observar agora

O primeiro ponto é saber se os ataques de 10 de junho terão nova resposta militar americana. Trump já sinalizou disposição de endurecer a reação contra Teerã, mas uma nova ofensiva pode reduzir ainda mais o espaço para mediação.

O segundo ponto é a reação política de Jordânia, Kuwait e Bahrein. Esses países acionaram defesas aéreas, mas a resposta diplomática de cada governo pode influenciar a pressão regional sobre Washington e Teerã.

O terceiro ponto é a diplomacia. A presença de mediadores mostra que ainda há tentativa de evitar uma guerra mais ampla, mas a decisão iraniana de reavaliar o engajamento nas negociações indica que a trégua de abril está sob forte pressão.