A unidade será voltada a sistemas BESS, baterias usadas para armazenar energia e apoiar a operação da rede elétrica
O projeto chega antes do primeiro leilão federal de armazenamento em baterias, previsto para dezembro de 2026
A capacidade estimada da unidade é de 1,5 GWh por anoA unidade da estatal chinesa Windey Energy, terceira maior fabricante mundial de turbinas eólicas. será dedicada a sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos pela sigla BESS, do inglês Battery Energy Storage System [Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias].
O lançamento da pedra fundamental aconteceu nesta terça-feira (9 de junho).
Segundo o presidente da Windey Energy Brasil, Ricardo Galvão, a planta terá alto nível de automação e poderá chegar a 70 a 120 profissionais quando estiver em operação plena e terá um investimento previsto de R$ 100 milhões nos próximos anos.
A empresa prevê iniciar a produção local no primeiro semestre de 2027.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, realçou a importância do investimento para o desenvolvimento econômico do país e do estado, fortalecendo a transição energética. "Essa agenda de hoje carrega o retorno do Brasil à pauta internacional", disse.
Para o prefeito Luiz Caetano, a chegada da empresa fortalece o novo tempo de crescimento e reestruturação econômica vivido na cidade. "Estamos recebendo um investimento que gera novas oportunidades, atrai tecnologia e reafirma a vocação industrial de Camaçari."
BESS são sistemas de baterias usados para armazenar energia elétrica e devolvê-la ao sistema quando necessário. Na prática, ajudam a lidar com a variação de fontes como solar e eólica, que dependem do sol e do vento.
Essas baterias podem ser usadas para reduzir cortes de geração renovável, apoiar horários de maior demanda, melhorar a estabilidade da rede e aumentar a segurança operacional.

Por que a fábrica importa
A fábrica coloca a Bahia em uma etapa mais avançada da cadeia de energia renovável. O estado já é forte na geração eólica e solar, mas a produção de equipamentos, sistemas de armazenamento, testes, integração e manutenção pode gerar uma base industrial de maior valor agregado.
Segundo o Governo da Bahia, o estado tem 99% da energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis, cerca de 11,8 GW de capacidade instalada em energia eólica e 2,97 GW em solar fotovoltaica. Também possui 21 GW instalados, 519 empreendimentos em operação e 11,36% da capacidade renovável nacional.

Por que Camaçari foi escolhida
A escolha reforça o reposicionamento do Polo Industrial de Camaçari, que busca atrair novos projetos ligados à transição energética. O complexo é descrito pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia como o maior polo industrial integrado do Hemisfério Sul, com mais de 80 empresas, cerca de 40 mil empregos e faturamento anual de US$ 15 bilhões.
A chegada da Windey se soma a outros movimentos industriais recentes no município e fortalece a tentativa de combinar a base tradicional do polo com setores ligados a baterias, mobilidade elétrica, energias renováveis e tecnologias de baixo carbono.

Projeto chega antes do leilão federal de baterias
O Ministério de Minas e Energia publicou, em 3 de junho de 2026, as diretrizes do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência por meio de novos sistemas de armazenamento em baterias, chamado LRCAP de 2026 - Armazenamento.
O certame será dividido em dois leilões, previstos para 2 e 4 de dezembro de 2026. O primeiro será destinado a sistemas que atendam a requisitos mínimos de nacionalização; o segundo será aberto a todos os projetos de armazenamento em baterias.
Esse desenho aumenta a importância de fornecedores com produção local, capacidade de entrega e adequação a critérios de nacionalização.
Além do leilão, a regulação do setor também avançou. Em 2 de junho de 2026, a ANEEL aprovou regras sobre a cobrança pelo uso da rede para sistemas de armazenamento de energia. A decisão fez parte da segunda fase da Consulta Pública nº 39/2023, que recebeu 652 sugestões de 70 participantes.
A agência definiu tratamento diferenciado para sistemas autônomos totalmente controlados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. Nesse modelo, o ONS define quando as baterias carregam e descarregam, alinhando a operação às necessidades do sistema elétrico.
Empregos devem ser mais qualificados do que numerosos
A fábrica deve gerar empregos, mas o impacto não deve ser medido apenas pelo número de vagas diretas dentro da planta. A própria empresa informou que a unidade terá alto nível de automação e poderá operar com 70 a 120 profissionais quando estiver em funcionamento pleno.
A cadeia de baterias tende a demandar técnicos e profissionais de áreas como automação, eletrotécnica, eletrônica de potência, engenharia elétrica, software, manutenção industrial, logística, qualidade e integração de sistemas.
A parceria da Windey com o Senai Cimatec, iniciada antes da fábrica, pode ajudar a formar mão de obra especializada e aproximar indústria, pesquisa aplicada e qualificação profissional.
O impacto na conta de luz será indireto
No curto prazo, a fábrica não deve provocar redução direta na conta de luz do consumidor. O efeito esperado é mais sistêmico: aumento da oferta de equipamentos, maior competição em projetos de armazenamento, apoio à integração de renováveis e possibilidade de reduzir desperdícios ou restrições operacionais.

A longo prazo, baterias podem contribuir para reduzir custos do sistema elétrico se forem bem localizadas, bem reguladas e acionadas nos momentos corretos. Esse resultado, porém, depende de leilões, regras tarifárias, financiamento, planejamento de transmissão e operação coordenada pelo ONS.

