Israel retaliou após ataque de mísseis lançado pelo Irã
O complexo petroquímico de Mahshahr, locais de lançamento de mísseis e estruturas militares foram atingidos
Teerã condicionou a retomada do cessar-fogo ao fim das ações israelenses no LíbanoIsrael bombardeou alvos no Irã nesse domingo (7 de junho) e madrugada desta segunda-feira (8) no Oriente Médio, em resposta ao lançamento de mísseis iranianos contra o norte de seu território.
A ofensiva ocorreu apesar do apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu evitasse uma retaliação e preservasse o cessar-fogo firmado em abril.
As Forças Armadas de Israel afirmaram que aviões de combate atacaram vários alvos em território iraniano, incluindo o complexo petroquímico de Mahshahr, no sudoeste do país. Também foram atingidos pontos de lançamento de mísseis e instalações de infraestrutura. Até o momento, não há relatos de mortos ou feridos no Irã.
A ofensiva israelense também teve como alvos áreas militares no oeste e no centro do Irã. A imprensa estatal iraniana relatou explosões em Teerã, Tabriz, Isfahan e Karaj.
O espaço aéreo de boa parte do país foi fechado, e relatos indicam que o aeroporto internacional de Teerã e um armazém de drones na capital podem ter sido atingidos.
Irã lança novos mísseis contra Israel
Antes da resposta israelense, o Irã havia disparado cerca de dez mísseis contra o norte de Israel. As defesas aéreas israelenses interceptaram todos os projéteis, segundo o relato original. Um deles caiu antes de alcançar o território israelense.
Depois da retaliação, Israel informou ter detectado uma nova onda de mísseis lançados pelo Irã. A defesa aérea foi mobilizada para interceptar a ameaça. Teerã afirmou ter atacado as bases aéreas israelenses de Nevatim e Tel Nof.
Os ataques iranianos causaram danos a casas em assentamentos israelenses na Cisjordânia. Até agora, não há registro de vítimas em Israel.
Houthis também disparam contra Israel
Cerca de uma hora depois da ação israelense, os rebeldes Houthis, do Iêmen, aliados ao Irã, dispararam um míssil contra a região central de Israel. O ataque acionou sirenes em Tel Aviv pela primeira vez desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em abril.
A nova escalada ocorre após Teerã prometer reagir caso Israel atacasse o distrito de Dahieh, reduto do Hezbollah no sul de Beirute. No domingo, Israel bombardeou dois apartamentos na área, descrita pelo governo israelense como um quartel-general do grupo libanês.
Trump pede fim dos bombardeios
Trump afirmou na Truth Social que Israel e Irã devem encerrar os ataques imediatamente. Segundo o presidente americano, as discussões finais por um acordo de paz continuam, mas estariam sendo prejudicadas por “ignorância e estupidez”.
O republicano já havia pedido a Netanyahu que não respondesse ao ataque iraniano. Mesmo assim, após consultas com autoridades de defesa e chefes de segurança, o primeiro-ministro israelense decidiu autorizar a ofensiva contra o Irã.
Trump também declarou que os ataques não colocariam as negociações em risco e afirmou que Netanyahu “não tem escolha” a não ser aceitar um acordo com Teerã.
União Europeia pede negociações
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, pediu calma após a troca de ataques entre Israel e Irã. Ela afirmou que a região não precisa de nova escalada e defendeu que as partes retomem as negociações.
A decisão israelense pode ampliar a tensão com Washington, principal aliado militar e diplomático de Israel. O episódio também aumenta a incerteza sobre o futuro das conversas para encerrar a guerra no Irã, iniciada por Trump e Netanyahu em fevereiro, conforme o texto original.
Líbano entra no centro da crise
O ataque iraniano ocorreu depois que Israel voltou a bombardear Beirute pela primeira vez desde o cessar-fogo entre Tel Aviv e o governo libanês. Teerã afirmou que Israel havia “cruzado todas as linhas vermelhas” ao atacar o Hezbollah, milícia libanesa aliada ao Irã.
Em comunicado divulgado pouco depois da troca de ataques, Teerã afirmou ter encerrado as ações contra Israel. O governo iraniano disse que retomará o cessar-fogo caso Israel deixe de atacar o Líbano.
Netanyahu, por sua vez, precisaria aceitar o fim das operações militares no sul do Líbano contra o Hezbollah para viabilizar a retomada da trégua, segundo o texto original.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, responsabilizou o Irã pela escalada entre Hezbollah e Israel. Antes disso, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, publicou no X uma imagem com as bandeiras do Irã e do Líbano após o ataque ao norte israelense.

