
A nova ofensiva de Donald Trump para ampliar os Acordos de Abraão reacendeu alertas sobre o futuro palestino no Oriente Médio.
Especialistas afirmam que a pressão sobre países árabes e muçulmanos pode aprofundar o isolamento dos palestinos e dar mais espaço para Israel avançar sobre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
Os Acordos de Abraão foram firmados durante o primeiro mandato de Trump na Casa Branca por Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Sudão. O objetivo é normalizar as relações desses países com Israel. Em 2025, o Cazaquistão também se comprometeu a aderir ao pacto.
Em meio às negociações com o Irã, Trump voltou a defender que Arábia Saudita, Catar, Paquistão, Turquia, Egito e Jordânia assinem os acordos. O presidente norte-americano vinculou o avanço das tratativas de paz com Teerã à adesão desses países ao pacto.
“Deveria começar com a assinatura imediata da Arábia Saudita e do Catar, e todos os outros deveriam seguir o exemplo. Se não o fizerem, não deveriam fazer parte deste Acordo [com o Irã], pois isso demonstra má intenção”, afirmou Trump em uma rede social.
Até o momento, apenas o Paquistão recusou a exigência de Trump. O país afirmou que não tem obrigação de aceitar a proposta de adesão aos Acordos de Abraão.
Analistas também apontam que o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 teve entre seus objetivos interromper negociações de países árabes com Israel, especialmente as conversas envolvendo a Arábia Saudita.
Entenda a Nakba
Nakba é o termo usado pelos palestinos para se referir à criação do Estado de Israel, em 1948. Naquele período, cerca de 750 mil palestinos foram expulsos de suas casas, e aproximadamente 500 vilas palestinas foram destruídas. O episódio marcou o início da crise dos refugiados palestinos.
Nas últimas semanas, organizações de direitos humanos denunciaram a ampliação dos assentamentos ilegais na Cisjordânia e ataques de colonos israelenses na região.
Em resposta, a União Europeia aprovou sanções contra colonos israelenses pela expansão ilegal dos assentamentos e pela anexação de grandes áreas da Cisjordânia ocupada.
Na última semana, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou que pretende ampliar o controle israelense sobre a Faixa de Gaza para 70%. Atualmente, Tel Aviv reconhece ocupar 60% do território.
A medida foi criticada pela Alemanha, um dos principais aliados de Israel na Europa. Berlim afirmou que se opõe a qualquer divisão permanente de Gaza.
Integrantes do governo israelense também defendem a emigração dos palestinos de Gaza e a anexação da Cisjordânia. Tel Aviv rejeita a criação de um Estado palestino independente, conforme previsto pelo direito internacional com base nas fronteiras de 1967.

