
O banho de mar em dias chuvosos pode parecer inofensivo, mas especialistas em salvamento aquático alertam que a combinação de chuva, vento, mar agitado e descargas elétricas amplia os riscos para banhistas.
O perigo aumenta principalmente durante temporais, quando a orientação é sair da água e procurar abrigo seguro.
A preocupação vale para moradores e turistas no litoral brasileiro, especialmente em períodos de instabilidade climática. Além dos raios, a chuva pode dificultar a visão de guarda-vidas, esconder buracos na areia, alterar a força das ondas e favorecer correntes que puxam o banhista para longe da praia.
Segundo a Defesa Civil de Salvador (Codesal), a previsão para este domingo, em Salvador, é de céu nublado, com ocorrência de chuvas moderadas a fortes e ventos intensos a qualquer hora do dia. As condições climáticas são provocadas pela chegada de uma frente fria vinda da Região Sul do Brasil.
O coordenador da Salvamar, Kailani Dantas, explicou por que as frentes frias representam um risco maior para quem pretende frequentar as praias.
“Em períodos de frente fria, o mar se comporta de uma maneira totalmente diferente. Os ventos e as chuvas acabam deixando o mar muito agitado, potencializando as correntes de retorno, a altura das ondas e a força da maré. Até mesmo praias que não apresentam grandes ondulações estão sujeitas, em razão da frente fria, ao surgimento de correntes de retorno e ondas de maior porte”, disse.

Raios são o principal alerta durante temporais
Em caso de tempestade, a recomendação mais segura é não permanecer no mar, em rios, lagos ou piscinas. A Defesa Civil orienta evitar locais abertos, como praias e campos, e buscar abrigo em casa, edifício ou veículo fechado.
Deve-se evitar contato com água durante tempestades, porque descargas elétricas podem se deslocar por superfícies e estruturas condutoras.
Na praia, o risco é maior porque o banhista fica exposto em uma área aberta. Mesmo quando a chuva parece fraca, trovões e nuvens carregadas já indicam a necessidade de sair da água.

Correntes de retorno ficam mais perigosas
Outro risco é a corrente de retorno, conhecida popularmente como repuxo. Esse fenômeno forma um corredor de água que retorna para o oceano e pode carregar rapidamente uma pessoa para longe da areia.
Em praias vigiadas, os guarda-vidas costumam sinalizar esses pontos com bandeiras vermelhas. O Corpo de Bombeiros orienta que o banhista não entre no mar entre duas bandeiras vermelhas e procure locais mais seguros.
O risco aumenta em dias de chuva porque a visibilidade piora, o mar pode ficar mais mexido e o banhista tem mais dificuldade para identificar sinais como água mais escura, falha na quebra das ondas e mudança na cor da superfície.
Caso seja arrastado por uma corrente de retorno, a orientação dos bombeiros é manter a calma e nadar paralelo à praia, sem tentar vencer a correnteza de frente. Nadar contra a força da água aumenta o cansaço e reduz a chance de sair com segurança.
Também é importante levantar o braço e pedir ajuda. Pessoas na areia não devem tentar resgates sem preparo, porque podem se tornar novas vítimas. A medida mais segura é chamar os guarda-vidas ou acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
No vídeo
Como sair de uma corrente de retorno
O risco das caravelas
As caravelas são pequenos animais marinhos de coloração azulada e longos tentáculos. O contato da pele humana com esses animais pode provocar dor intensa, náuseas e até tonturas.
O fenômeno, mais comum entre os meses de abril e junho, também tem ocorrido ultimamente por causa das chuvas frequentes.
O alerta de presença das caravelas é feito com a bandeira roxa, conforme determina o modelo nacional da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa).


