
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera apresentar novamente ao Senado o nome de Jorge Messias, advogado-geral da União, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.
A possibilidade é discutida mesmo após a rejeição inédita de Messias pelo plenário da Casa, ocorrida no fim de abril. A informação foi divulgada inicialmente pela Folha de S. Paulo e confirmada por aliados ao O Globo.
No governo, a avaliação é que desistir da indicação depois da derrota poderia reforçar a imagem de fragilidade política de Lula perante o Congresso. Auxiliares do presidente também veem risco de aumento do desgaste na relação com o Senado e com setores do Centrão.
Aliados afirmam que a ideia seria esperar um momento de menor tensão política antes de retomar a articulação. Para esse grupo, uma nova indicação de Messias poderia ser usada pelo Planalto como sinal de autoridade diante dos senadores.
Messias teve o nome rejeitado por 42 votos a 34 no plenário do Senado. Foi a primeira vez, em mais de 130 anos, que uma indicação ao STF não recebeu aprovação da Casa.
Em Brasília, o resultado foi visto como uma derrota expressiva para Lula e como uma mensagem do Congresso ao governo e ao próprio Supremo.
Integrantes do Executivo atribuem o revés à atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e ao descontentamento de parlamentares com decisões recentes do STF. Entre os pontos citados estão os desdobramentos dos atos de 8 de janeiro e o avanço de investigações contra aliados da direita.
A possibilidade de insistir no nome de Messias divide o governo, de acordo com a Gazeta do Povo. Para uma ala, o advogado-geral da União segue como uma escolha de confiança pessoal de Lula e ainda conta com apoio dentro do Supremo e entre petistas próximos ao núcleo político do presidente.
Outro grupo, porém, defende prudência. Esses interlocutores avaliam que uma nova derrota aprofundaria a crise entre Executivo e Legislativo e poderia prejudicar futuras escolhas de Lula para o Judiciário e para tribunais superiores.
Também há auxiliares que defendem manter a vaga aberta por algum tempo, até que o cenário eleitoral de 2026 esteja mais claro. Paralelamente, nomes alternativos seguem sendo discutidos nos bastidores.
Entre governistas, cresceu a pressão para que Lula escolha uma mulher negra para o STF, demanda que ganhou força depois da rejeição de Messias. Ainda assim, segundo aliados, o presidente continua inclinado pessoalmente a manter o AGU como principal opção para a vaga.
Depois da votação no Senado, Messias adotou uma postura conciliadora. Ele afirmou que o plenário da Casa é “soberano” e declarou que faz parte da democracia “saber ganhar e saber perder”.
Pessoas próximas ao advogado-geral da União dizem que ele não considera encerrada a chance de chegar ao Supremo. Segundo relato publicado pelo O Globo, Messias tem evitado demonstrar abatimento a interlocutores e costuma usar a expressão “Deus proverá” ao comentar seu futuro político.
Aliados do governo avaliam que a recepção dada a Messias na posse do ministro Nunes Marques contribuiu para reduzir a percepção de isolamento após a derrota no Congresso.
Para integrantes do entorno de Lula, as manifestações públicas de apoio indicaram que o chefe da AGU ainda mantém interlocução e respaldo no meio jurídico e entre magistrados de tribunais superiores.

