
Milícias iraquianas alinhadas ao Irã seguem planejando ataques contra cidadãos americanos e alvos ligados aos EUA em diferentes partes do Iraque, incluindo a região do Curdistão.
Em publicação feita nesta segunda-feira (20 de abril) na rede X, a missão diplomática orientou americanos no país a evitarem deslocamentos até a embaixada, em Bagdá, e o consulado em Erbil, recomendando contato por e-mail.
A representação diplomática afirmou que integrantes associados ao governo do Iraque seguem oferecendo cobertura política, financeira e operacional a essas milícias.
A embaixada disse que americanos que cogitam deixar o país por via aérea devem considerar o risco contínuo de foguetes, mísseis e drones no espaço aéreo iraquiano, mesmo após a retomada dos voos comerciais com o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
A orientação foi direta: não viajar ao Iraque e, para quem já estiver no país, sair imediatamente.
O aviso ocorre após episódios recentes de violência. Em 31 de março, a jornalista americana independente Shelly Kittleson foi sequestrada em Bagdá pelo Kataib Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. Em 7 de abril, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, confirmou a libertação dela. Kittleson atuava principalmente para o site Al-Monitor.
O Kataib Hezbollah foi classificado pelo governo americano como organização terrorista em 2009. Já outros quatro grupos -- Kata'ib Sayyid al-Shuhada, Harakat al-Nujaba, Harakat Ansar Allah al-Awfiya e Kata'ib al-Imam Ali -- receberam essa designação em conjunto em setembro de 2025.
De acordo com o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional dos EUA, o Kata'ib Sayyid al-Shuhada se separou do Kataib Hezbollah e atua sob direção da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.
Em 9 de abril, o subsecretário de Estado Christopher Landau convocou o embaixador do Iraque em Washington, Nizar Khirullah, e cobrou maior proteção para diplomatas americanos no país. O pedido ocorreu após um ataque com drones nas proximidades de uma instalação diplomática dos EUA em Bagdá.
Um dia antes, em 8 de abril, a Embaixada dos EUA em Bagdá informou que grupos alinhados ao Irã haviam promovido vários ataques com drones perto do Centro de Apoio Diplomático de Bagdá e do Aeroporto Internacional da capital.
O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, classificou as ações como ataques terroristas cometidos por milícias pró-Irã contra pessoal e instalações diplomáticas americanas.
Segundo autoridades de saúde iraquianas citadas no texto, desde o início da guerra com o Irã, dezenas de pessoas morreram no Iraque, entre civis, integrantes da polícia e do Exército, combatentes curdos Peshmerga aliados dos EUA e membros das Forças de Mobilização Popular xiitas ligadas ao Irã.
O cenário atual se insere em um contexto político e militar mais amplo. Os xiitas formam a maioria da população do Iraque, mas foram reprimidos durante o governo de Saddam Hussein, derrubado em 2003 por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos. Nos últimos anos, grupos xiitas armados passaram a representar uma ameaça crescente no país.
