Política

Gilmar Mendes quer Zema
no inquérito das 'fake news'

O caso está sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR)

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou ao ministro Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), solicitando sua inclusão no inquérito das fake news, que tramita sob sigilo.

A medida, divulgada pela Folha de S. Paulo e confirmada pela Gazeta do Povo, foi motivada pela divulgação de um vídeo nas redes sociais em que Zema utiliza tecnologias de deep fake (criação de vídeos e áudios falsos por meio de inteligência artificial) e edição profissional para simular um diálogo inexistente entre Mendes e o ministro Dias Toffoli.

Na gravação, que faz parte da série "Os Intocáveis", o personagem que representa Toffoli pede a suspensão de uma decisão da CPI do Crime Organizado, enquanto o fantoche de Gilmar aceita o pedido em troca de cortesias em um resort de luxo no Paraná, empreendimento do qual o magistrado e seus irmãos são sócios.

Em sua argumentação, Gilmar Mendes afirma que o conteúdo fere sua honra e a imagem do tribunal, comprometendo a credibilidade da Corte ao emular vozes de ministros para criar situações fictícias com o objetivo de promoção pessoal.

O magistrado destacou, ainda, o alto potencial de dano institucional da publicação, dado o alcance das redes sociais de Zema.

O caso está sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), após encaminhamento de Moraes, e aguarda uma manifestação que definirá se as investigações terão prosseguimento ou se o pedido será arquivado.

De acordo com a jornalista Mônica Bergamo, o ex-governador mineiro Romeu Zema afirmou que os ministros do STF "vão ter que prender o Brasil inteiro" caso queiram evitar o uso do humor como instrumento de críticas a eles.

"Eu fui governador de Minas Gerais por quase oito anos. Me criticaram, fizeram charges, caricaturas. Isso é natural em uma democracia", disse Zema.

"Ministros do STF que deveriam viver com comedimento optaram por ser midiáticos e ávidos por holofotes. Como qualquer outra figura pública, portanto, podem ser criticados", afirmou.