Brasil / Política

Família aconselha ministra Cármen Lúcia a deixar STF

A ministra reconheceu que o Supremo atravessa um período de tensão

Foto: Fernando Frazão | Agência Brasil
Ministra Cármen Lúcia: "Todo mundo da família fala: Cármen, sai disso, já fez o que tinha o que fazer"
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Cármen Lúcia afirmou sofrer ofensas machistas diárias e disse que a família a incentiva a deixar o STF. Em evento em São Paulo, também relatou ameaças à Corte, avaliou que ataques podem afastar futuros ministros e afirmou que atua sempre com base na lei.

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta segunda-feira (13), em São Paulo, que tem sido aconselhada por familiares a deixar a Corte por causa das ofensas machistas que diz sofrer diariamente. Durante evento promovido pelo Instituto FHC, ela também mencionou ameaças contra integrantes do STF e avaliou que esse ambiente pode afastar possíveis futuros ministros.

Ao participar da palestra “O Brasil na visão das lideranças públicas”, a ministra disse que a hostilidade enfrentada no exercício da função afeta não apenas os magistrados, mas também suas famílias.

Segundo Cármen Lúcia, o cenário de ataques pode fazer com que algumas pessoas deixem de aceitar uma vaga no Supremo. Ela afirmou que, no caso das mulheres, a situação é ainda mais difícil por causa do teor das ofensas, que classificou como sexista, machista e desmoralizante.

Ao relatar a reação de parentes, a ministra reproduziu o apelo que recebe em casa para deixar o cargo, sob o argumento de que já teria cumprido sua missão.

Cármen Lúcia também reconheceu que o Supremo atravessa um período de tensão e de questionamentos por parte da sociedade. Apesar disso, afirmou atuar com base na lei e negou cometer irregularidades no exercício da função.

Na fala, a ministra citou um episódio pessoal para sustentar sua posição. Disse que já votou contra o próprio pai, que ainda era vivo na ocasião, no caso dos poupadores, e que o avisou previamente sobre sua decisão.

Não é a primeira vez que a ministra, atualmente a única mulher entre os integrantes da Corte, relata ser alvo de ataques machistas.

No mês anterior, Cármen Lúcia informou ter sido avisada sobre uma ameaça de bomba que teria como objetivo matá-la.