
Ilustração: GPT Imagens IA
A frase que deixou os brasileiros honestos de alma lavada, enxaguada e secando ao sol é do ministro Luiz Fux, no plenário do Supremo Tribunal Federal, após ouvir outros ministros desancarem os deputados cariocas.
Fux avivou a memória dos colegas. Falou sobre escândalos que tiveram origem longe do areal de Copacabana: o Mensalão, a Lava-Jato, o escândalo do INSS e... (insiro, aqui, uma pausa dramática, enquanto lanço as mãos aos céus e caio de joelhos em agradecimento ao ministro Fux) o Banco Master (sim, coloquemos este em negrito, para melhor destacá-lo).
"Há bons políticos no Estado do Rio de Janeiro, que representam o Estado na Câmara Federal. São excelentes políticos", disse Luiz Fux, recusando-se a lançar ao balaio da desonestidade todos os parlamentares fluminenses.
Aí veio a frase redentora, capaz de levar os brasileiros honestos às lágrimas de esperança: "De sorte que, se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades".
E mais não disse, nem lhe foi perguntado. Ora, mas deveria ter sido questionado. Quem são essas "altas autoridades, ministro Fux?". Eu, se sentado estivesse em plenário, de toga aos ombros, teria lançado a pergunta que gritava aos ouvidos dos cidadãos de bem. "Quem são essas 'altas autoridades', ministro Fux?"
Fez-se, no entanto, um silêncio de catacumbas.
Há, segundo o ministro Gilmar Mendes, que citou informações passadas por um diretor da Polícia Federal, ao menos 30 deputados cariocas comendo no prato estendido por contraventores do jogo do bicho.
Temo que uma lista das "altas autoridades" a quem se referiu o ministro Fux possa tornar tímida a dos deputados do Rio de Janeiro envolvidos com a jogatina criada em 1892 pelo Barão de Drummond.
