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Preço do diesel sobe quase 25% em março e pressiona inflação no País

O comportamento indica que o movimento não está mais ligado a fatores isolados

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O diesel lidera a alta dos combustíveis em março de 2026, acumulando quase 25% até o dia 23. Aumento já supera 30% em algumas regiões e pressiona fretes, alimentos e custos industriais. Gasolina e etanol também sobem, enquanto medidas fiscais têm impacto limitado.

O preço médio dos combustíveis vendidos pelas distribuidoras aos postos registrou nova alta na terceira semana de março de 2026, com o diesel liderando o movimento. Levantamento baseado em mais de 257 mil notas fiscais eletrônicas indica que o aumento deixou de ser pontual e passou a configurar um ciclo consistente de pressão sobre custos energéticos no Brasil.

A elevação do diesel vem se intensificando ao longo do mês. Na primeira semana de março, a alta média ficou próxima de 9%. Na segunda semana, o avanço superou 19% em algumas variações. Até o dia 23, o Diesel S10 comum acumulou aumento médio nacional de aproximadamente 24,98%, com acréscimo superior a R$ 1,25 por litro nas distribuidoras, consolidando a trajetória de elevação contínua.

O comportamento indica que o movimento não está mais ligado a fatores isolados, mas a uma recomposição estrutural de preços no setor de combustíveis. A tendência amplia a pressão sobre os custos logísticos e produtivos em diferentes segmentos da economia.

Segundo Gilberto Luiz do Amaral, coordenador de estudos e presidente do Conselho Superior do IBPT, o diesel passou a exercer impacto sistêmico. “O diesel se consolidou como o principal vetor de pressão inflacionária neste mês. Como ele está diretamente ligado ao transporte de cargas, qualquer variação relevante tem efeito imediato sobre toda a cadeia produtiva, impactando desde o agronegócio até o consumidor final.”

A análise regional mostra que a alta ocorre de forma disseminada no país. As maiores variações foram registradas no Centro-Oeste e no Nordeste. No Centro-Oeste, o Diesel S10 comum ultrapassou 30% de aumento no período. No Nordeste, as elevações também se aproximam desse patamar, reforçando o caráter generalizado da pressão.

Os dados indicam ainda que o aumento aplicado pelas distribuidoras tem sido rapidamente transferido aos postos. Em diversas regiões, o preço do diesel no varejo já superou R$ 8,00 por litro ao longo de março, demonstrando que o impacto chegou ao consumidor final.

Para o diretor do IBPT, Carlos Alberto Pinto Neto, a dinâmica do mercado mostra repasse praticamente integral. “O que observamos é uma transmissão direta da alta do atacado para o varejo. Mesmo com alguma compressão de margem em determinados momentos, especialmente no diesel, o repasse ocorre porque os custos não são mais absorvíveis ao longo da cadeia.”

A gasolina também apresenta aumento, embora em ritmo inferior ao diesel. Após subir cerca de 2% na primeira semana e ultrapassar 5% na segunda, o combustível acumula alta média próxima de 9% em março, com picos superiores a 13% em regiões do Nordeste.

O etanol, que anteriormente apresentava estabilidade ou queda, passou a registrar leve alta no consolidado do mês. A variação média nacional é de 1,39%. Apesar de manter menor volatilidade, o combustível deixa de funcionar como principal alternativa para reduzir o impacto no orçamento do consumidor.

O levantamento também aponta que a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel teve efeito limitado. O reajuste ao longo da cadeia de abastecimento, aliado à volatilidade internacional do petróleo, neutralizou parte do impacto da desoneração.

“O mercado reagiu de forma mais intensa do que as medidas de alívio fiscal. Isso mostra que o problema não está apenas na carga tributária, mas na dinâmica estrutural de formação de preços e na dependência externa do setor”, afirmou Amaral.

Com a consolidação das altas, os efeitos na economia tornam-se mais evidentes. O aumento do diesel eleva o custo do frete e pressiona preços de alimentos, insumos industriais e bens de consumo.

Setores como agronegócio, indústria e transporte rodoviário enfrentam dificuldades para absorver aumentos que, em algumas regiões, ultrapassam 30%. O cenário tende a gerar efeito cascata nos preços ao consumidor.

O monitoramento semanal aponta que a pressão sobre os combustíveis persiste ao longo de março e segue em intensificação, indicando a possibilidade de continuidade desse movimento nas próximas semanas.