Economia

Expectativa do comércio é de novo ciclo de alta da inflação no País

Pressões tanto do mercado externo quanto do interno estão entre as causas

O IPCA chegou ao seu ponto mínimo no acumulado de 12 meses até fevereiro: 3,81%, quase no centro da meta anual do Banco Central. Porém, esse é o limite, segundo análise do Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política (CSESP) da FecomercioSP.

Os preços vão voltar a subir daqui em diante, prevê a Carta de Conjuntura de março do CSESP.

As medidas do Planalto para atenuar os impactos da guerra pelo Oriente Médio sobre os combustíveis serão limitadas, embora tenham efeito, diz a Carta. "A tendência é que as famílias mais pobres sejam especialmente mais penalizadas, já que os custos da gasolina e do diesel pesam mais sobre elas – e eles ficarão mais caros" projeta.


 
O documento destaca que no cenário interno, o mercado de trabalho permanece aquecido – o desemprego ficou em 5,1% no fim do último trimestre de 2025 –, o que pressiona, sobretudo, o setor de Serviços. Na composição do IPCA, ele tem uma alta mais robusta, de 6%, enquanto os produtos do varejo não subiram mais do que 1,5% no período.

“A economia mundial passa por um momento robusto de incertezas. A guerra no Oriente Médio é muito grave, e o impactos serão globais. Para o Brasil, os efeitos virão na inflação do petróleo, que vai elevar o custo de vida das famílias – ainda mais aquelas das camadas mais baixas”, analisa o economista Antonio Lanzana, presidente do CSESP.

“Isso deve fazer o Banco Central medir novamente seu ciclo de cortes dos juros, retraindo o ritmo dos ajustes na Selic. Não é uma boa notícia para um país cujos primeiros indicadores do ano mostram um comportamento setorial diferenciado: indústria em queda, comércio estável e serviços, ao contrário, em ritmo elevado”, continua ele.

BC concorda

O Banco Central concorda que a inflação deve subir até o fim de 2026, permanecendo acima da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CNM) e que é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, isto é, de 1,5% a 4,5%.

Segundo a autarquia, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - referência oficial da inflação no país – deve terminar o ano em 3,6%, “em boa medida advinda do aumento dos preços do petróleo”.

A probabilidade de a inflação estourar o teto da meta (4,5%) em 2026 subiu de 23% para 30% neste Relatório de Política Monetária.

A expectativa do Banco Central é de que a partir do ano que vem a inflação volte a cair, chegando a 3,1% no último período considerado, referente ao terceiro trimestre de 2028.