
Piora, a cada ano (e agora em 2026 tocamos os umbrais da demência), a cobertura da cerimônia de premiação do Oscar, aquele concedido por um império capitalista, como é chamado por muitos, e desejado até o fundo da alma pelos mesmos.
Em 2016, a atriz Glória Pires foi convidada pela Rede Globo para participar da cobertura de entrega do Oscar. Sua honestidade acabou virando motivo de chacota ("Não sou capaz de opinar", dizia ela, quando não tinha visto a película em julgamento).
Em vez de enfileirar platitudes, a atriz -- honestamente, ressalte-se -- negava-se a dar uma opinião sobre o que não tinha visto.
Corte rápido para 2026.
Convida-se um bando de pessoas que desconhecem o básico do cinema para comentar as indicações e os premiados. Tem-se não analistas que esclareçam detalhes das produções para o público, mas torcedores desvairados, que exigem o Oscar para os representantes brasileiros mesmo que estes mereçam no máximo a passagem de volta.
O vencedor é melhor que o filme nacional? Dane-se! O ator brasileiro é mais do mesmo? "Fuck you, Hollywood! Como ousa me negar um prêmio que tanto representa o imperialismo que digo odiar?"
Os "analistas" de cinema, no Brasil, conseguiram superar com larga margem a vergonheira que se repete diariamente nos programas esportivos da TV, recheados de torcedores fanáticos em vez de comentaristas que ajudem o público a entender um pouco mais sobre o futebol.
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O BC vai à guerra
A atuação recente do Tesouro Nacional no mercado secundário de títulos públicos, com recompras que totalizaram R$ 43,6 bilhões em apenas dois dias, representa um evento de magnitude incomum e altamente relevante para a dinâmica da curva de juros brasileira.
Esse tipo de atuação tende a achatar a curva de juros, especialmente nos vértices intermediários e longos, onde a volatilidade tem sido mais pronunciada.
Os motivos do BC
Aumentos persistentes nos preços do petróleo tendem a contaminar índices de preços ao consumidor, especialmente em economias emergentes com maior sensibilidade cambial.
No Brasil, essa dinâmica é amplificada pela indexação parcial da economia e pela relevância dos combustíveis na cesta de inflação.
Consequentemente, o mercado passou a precificar uma trajetória mais restritiva para a Taxa Selic, elevando os juros futuros e pressionando ativos de renda fixa e variável.
Adicionalmente, o risco doméstico -- incluindo a possibilidade de paralisações no setor de transporte -- adiciona uma camada de incerteza fiscal e inflacionária.
É exatamente o cenário que o Banco Central tenta evitar.
