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Trabalhadores encerram greve que durou mais de 3 anos na Avibras

Um acordo prevê o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões em débitos trabalhistas

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Após 1.280 dias de greve, trabalhadores da Avibras aprovaram plano de pagamento de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas. A fábrica em Jacareí deve retomar a produção em abril. O acordo inclui demissões, parcelamento de débitos e recontratação parcial de funcionários, em meio ao processo de recuperação judicial da empresa.

Após 1.280 dias de paralisação, trabalhadores da Avibras Indústria Aeroespacial aprovaram um acordo para pagamento de dívidas trabalhistas acumuladas pela empresa. Com a decisão, a produção na fábrica localizada em Jacareí, no interior de São Paulo, deve ser retomada em abril, encerrando um período de cerca de três anos sem atividade contínua.

A greve na empresa teve início em 9 de setembro de 2022 e se estendeu por mais de três anos. Durante esse período, os trabalhadores reivindicaram a regularização de salários e outros direitos trabalhistas que deixaram de ser pagos.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, o acordo aprovado prevê o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões em débitos trabalhistas. O plano estabelece parcelas que variam entre 12 e 48 vezes, conforme a faixa salarial dos funcionários. Ao todo, cerca de 1,4 mil trabalhadores têm valores a receber.

Segundo o sindicato, para viabilizar o retorno das atividades, a empresa deverá desligar os 850 empregados que ainda possuem vínculo formal com a fábrica. Após o pagamento das dívidas conforme o plano definido, a Avibras prevê a recontratação de 450 trabalhadores. O processo de demissões, homologações e novas contratações deve ocorrer entre março e abril.

Em comunicado, a Avibras informou que a aprovação da proposta pelos trabalhadores representa um avanço importante no processo de reestruturação da companhia.

Outro elemento considerado decisivo para a retomada das operações foi a decisão do Tribunal de Justiça que rejeitou recursos apresentados contra a homologação do Plano de Recuperação Judicial da empresa.

No mesmo comunicado, a companhia afirmou que atravessa uma fase de transição voltada à preparação para o restabelecimento das atividades produtivas. A empresa também declarou que permanece dedicada à execução do Plano de Recuperação Judicial e à construção de um novo ciclo, com foco na continuidade das operações e no fortalecimento da atuação nos setores de defesa e aeroespacial.

A Avibras entrou com pedido de recuperação judicial em março de 2022, após enfrentar dificuldades financeiras e acumular dívidas estimadas em R$ 600 milhões. Na mesma ocasião, a empresa anunciou a demissão de 420 trabalhadores. Um mês depois, a Justiça suspendeu essas dispensas após ação movida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.

A retomada das atividades ocorrerá sob nova administração. Em 25 de julho de 2025, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo determinou a destituição do então proprietário João Brasil Carvalho Leite e aprovou a transferência de 99% das ações da empresa para o Brasil Crédito Gestão Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, credor da companhia.

Fundada há mais de cinco décadas, a Avibras é uma empresa privada brasileira de engenharia que desenvolve tecnologias para os setores civil e de defesa. Entre seus principais produtos estão sistemas de lançamento de mísseis de cruzeiro, foguetes guiados, motores de foguetes destinados à Marinha e à Força Aérea Brasileira, além de veículos blindados.