
O Vulcão de Fogo, na Guatemala, continua em atividade eruptiva intensa nesta quarta-feira (5 de agosto), após a intensificação iniciada na manhã de segunda-feira (3). Cerca de 1.700 moradores permaneciam em abrigos, segundo a agência guatemalteca de gestão de desastres, a CONRED.
Aproximadamente 29 mil pessoas foram afetadas pela queda de cinzas nos departamentos de Sacatepéquez, Escuintla e Chimaltenango. As autoridades elevaram o alerta para vermelho nessas áreas, suspenderam aulas e fecharam a Rodovia Nacional 14 nas proximidades do vulcão.
Até o momento não há confirmação de mortos ou feridos. As correntes de lama e material vulcânico não tinham alcançado comunidades, e não haviam sido informados danos a construções.
Fluxos piroclásticos desceram por cinco ravinas
O Instituto Nacional de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia da Guatemala, o INSIVUMEH, informou que a fase mais intensa da erupção produziu correntes de densidade piroclástica recorrentes nas ravinas Seca, Taniluyá, Ceniza, Las Lajas e Honda.
O instituto não descartou a ocorrência do fenômeno também nas ravinas Trinidad e El Jute.
Fluxos piroclásticos são misturas de gases, cinzas e fragmentos vulcânicos em alta temperatura que descem rapidamente pelas encostas.
A atividade também lançou lava, gases e cinzas. Segundo informações atribuídas ao diretor do INSIVUMEH, Edwin Rojas, as colunas ultrapassaram 5 mil metros de altitude e as cinzas foram transportadas pelo vento por até 120 quilômetros. A distância não representa um raio uniforme de risco, pois a dispersão depende da direção e da velocidade dos ventos.
Chuvas podem aumentar o risco
Correntes de lama com extensão de até sete quilômetros já haviam descido pelas encostas, sem atingir povoados. A previsão de chuva elevava a preocupação com novos lahars, quando a água mobiliza cinzas, pedras e outros detritos vulcânicos.
A CONRED recomendou que moradores das áreas afetadas usem máscaras contra a inalação de cinzas, protejam alimentos e cubram reservatórios de água. Orientações anteriores do órgão também recomendam evitar a circulação por ravinas durante a ocorrência de lahars.
O INSIVUMEH afirmou que mantém vigilância permanente do vulcão e que novas atualizações serão divulgadas conforme a evolução da atividade.
Principais perigos
Fluxos piroclásticos
Mistura extremamente quente de gases, cinzas e fragmentos de rocha que desce rapidamente pelas encostas.
Queda de cinzas
Pode afetar cidades distantes, reduzir a visibilidade, causar problemas respiratórios e contaminar reservatórios de água.
Lahars
Correntes de lama formadas por água, cinzas e detritos vulcânicos, geralmente desencadeadas por chuvas após uma erupção.
Fluxos de lava
Normalmente permanecem próximos ao vulcão, mas podem destruir vegetação e infraestrutura.
Erupção de 2018 deixou ao menos 113 mortos
O Vulcão de Fogo está entre os mais ativos da América Central. Em 3 de junho de 2018, uma erupção atingiu comunidades próximas. Um balanço oficial da CONRED divulgado em julho daquele ano registrava 113 mortes, das quais 85 vítimas haviam sido identificadas naquele momento.

As evacuações atuais foram adotadas preventivamente. Entre as primeiras áreas retiradas estavam duas comunidades próximas ao vulcão; o número de pessoas deslocadas aumentou nas atualizações seguintes.
