
A manutenção da bandeira tarifária amarela em agosto de 2026 fará os consumidores completarem quatro meses consecutivos de cobrança adicional na conta de luz.
Para a média nacional de consumo residencial, o impacto acumulado entre maio e agosto é estimado entre R$ 13 e R$ 14 por unidade consumidora. O valor ainda é uma projeção, pois, até 3 de agosto, não estavam disponíveis os dados médios de consumo de julho e agosto.
A cobrança é de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a manutenção da bandeira amarela está relacionada ao período seco, à redução das afluências e dos níveis dos reservatórios e ao maior uso de usinas termelétricas, cuja geração é mais cara.
Como calcular o adicional
O consumidor pode calcular o valor mensal multiplicando o consumo registrado na fatura por R$ 0,01885.
Fórmula mensal: consumo em kWh × R$ 0,01885
Para calcular o total entre maio e agosto, é preciso fazer a conta com o consumo de cada um dos quatro meses e somar os resultados.
Em uma residência que consuma exatamente 100 kWh por mês, o adicional será de aproximadamente R$ 1,89 mensais e de R$ 7,54 nos quatro meses. Com consumo mensal de 200 kWh, o custo acumulado sobe para R$ 15,08.

Os valores isolam apenas o efeito da bandeira tarifária. A fatura final também depende da tarifa da distribuidora, de reajustes locais, tributos e da contribuição para iluminação pública.
Por isso, nem toda alta na conta de luz pode ser atribuída à bandeira. No IPCA-15 de junho, a energia elétrica residencial subiu 2,04%. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relacionou o resultado tanto à bandeira amarela quanto a reajustes tarifários aplicados em diferentes capitais.
Como foi obtida a estimativa de R$ 13 a R$ 14
Cálculos baseados em dados mensais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam consumo residencial médio de 179,4 kWh por unidade em maio e de 169,1 kWh em junho.
Com esses volumes, a cobrança média da bandeira foi estimada em R$ 3,38 por residência em maio e R$ 3,19 em junho. O total dos dois meses ficou em aproximadamente R$ 6,57.
Caso o consumo médio desses meses se repita em julho e agosto, o custo acumulado chegará a cerca de R$ 13,14.
Outra referência é o consumo médio dos 12 meses encerrados em junho, calculado em 180,6 kWh mensais por residência. Aplicado aos quatro meses de bandeira amarela, esse volume resultaria em aproximadamente R$ 13,62.
Os dois cálculos sustentam uma estimativa entre R$ 13 e R$ 14. O valor não representa, porém, uma cobrança igual para todas as residências nem um resultado já observado para os quatro meses.
A redução da conta depende principalmente do uso dos equipamentos de maior potência ou que ficam ligados por mais tempo.
No ar-condicionado, as medidas incluem diminuir as horas de funcionamento, manter portas e janelas fechadas durante o uso e limpar os filtros regularmente.
Banhos mais curtos e o uso da posição de menor potência do chuveiro, quando a temperatura permitir, também reduzem o consumo.
Na geladeira, é recomendável verificar a vedação, evitar abrir a porta repetidamente, não guardar alimentos ainda quentes e manter espaço para a ventilação do condensador.
Ao substituir geladeiras, aparelhos de ar-condicionado, ventiladores ou máquinas de lavar, o consumidor pode comparar a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia e priorizar equipamentos com melhor classificação e Selo Procel.
A economia referente apenas à bandeira é pequena: uma redução mensal de 10 kWh diminui o adicional em cerca de R$ 0,19. Um corte de 50 kWh reduz a bandeira em aproximadamente R$ 0,94.
A queda total da conta é maior, pois o consumidor também deixa de pagar a tarifa normal e determinados encargos e tributos associados ao consumo.
Tarifa Social isenta os primeiros 80 kWh
Desde julho de 2025, os beneficiários da Tarifa Social de Energia Elétrica têm desconto de 100% sobre os primeiros 80 kWh consumidos por mês. A parcela que ultrapassa esse limite continua sujeita à cobrança.
Uma família beneficiária que consuma até 80 kWh mensais não paga o adicional da bandeira sobre esse volume. Considerando quatro meses, a proteção equivale a aproximadamente R$ 6,03.
Em uma residência inscrita na Tarifa Social com consumo mensal de 100 kWh, a bandeira incide apenas sobre os 20 kWh que ultrapassam o limite. O adicional estimado nos quatro meses é de R$ 1,51, ante R$ 7,54 sem o benefício.
Com consumo mensal de 200 kWh, o valor estimado cai de R$ 15,08 para R$ 9,05.
Mesmo quando o consumo fica abaixo de 80 kWh, a fatura pode incluir cobranças que não estão diretamente relacionadas à energia, como a contribuição para iluminação pública e, conforme o caso, tributos.
O chamado Desconto Social, destinado a outra faixa de inscritos no Cadastro Único, isenta a cobrança da Conta de Desenvolvimento Energético até 120 kWh. A medida afeta outro componente da tarifa e não equivale à gratuidade dos primeiros 80 kWh da Tarifa Social.
Consumidores que usam mais energia pagam mais
A cobrança da bandeira é proporcional ao consumo. Em valores absolutos, residências que usam mais energia pagam adicionais maiores.
Dados da EPE referentes a 2019 mostram que o consumo residencial anual por pessoa variava de 371 kWh na faixa de menor renda a 2.221 kWh na faixa mais alta.
O consumo de aparelhos de ar-condicionado entre os 10% mais ricos também superava a soma registrada nos sete primeiros décimos da distribuição de renda. Os dados indicam, portanto, que famílias de maior renda tendem a pagar valores absolutos maiores pela bandeira.

O impacto proporcional sobre o orçamento, no entanto, pode ser mais elevado entre famílias pobres que não recebem integralmente a Tarifa Social ou que ultrapassam os 80 kWh mensais.
Consumo residencial continuou crescendo
A cobrança da bandeira amarela não foi acompanhada por queda no consumo residencial.
Na comparação com os mesmos meses do ano anterior, o consumo aumentou 8,7% em abril, 4,2% em maio e 4,3% em junho.
Em junho, as residências consumiram 14.386 gigawatts-hora (GWh). A EPE associou o crescimento às temperaturas elevadas, ao clima mais seco, ao uso de aquecimento no Sul, à expansão do número de consumidores, à melhora da renda e à compra de eletrodomésticos.
Esses números não mostram quanto teria sido consumido sem a cobrança adicional. Também não permitem concluir que a bandeira deixou de incentivar alguma redução no uso de energia.
A comparação anual exige cautela porque, em junho de 2025, estava em vigor a bandeira vermelha patamar 1, mais cara do que a bandeira amarela aplicada em junho de 2026.
Estimativa regional usa dados de 2024
Com base nos consumos residenciais médios de 2024, o Norte teria o maior adicional médio durante os quatro meses, de R$ 16,61 por residência. O Centro-Oeste aparece em seguida, com R$ 16,22.
Norte e Centro-Oeste combinam temperaturas elevadas e demanda relevante por refrigeração. No Sul, o consumo pode refletir tanto o resfriamento no verão quanto o aquecimento durante períodos frios.
O Nordeste registra o menor consumo residencial médio, apesar das temperaturas elevadas. Segundo a EPE, o resultado está associado à menor renda e à presença reduzida de equipamentos como aparelhos de ar-condicionado e chuveiros elétricos.
O consumo menor não significa necessariamente menor necessidade de conforto térmico. Ele também pode refletir demanda reprimida, quando famílias expostas ao calor não têm renda suficiente para comprar ou utilizar equipamentos de climatização.
Próximas bandeiras ainda não estão definidas
Os documentos disponíveis indicam possibilidade de pressão sobre os custos de geração entre setembro e novembro, mas não permitem antecipar qual bandeira será acionada.
O painel climático citado na apuração aponta maior probabilidade de chuvas abaixo da média no centro-norte do país entre agosto e outubro, chuvas acima da média no Sul e temperaturas elevadas em grande parte do território.
O cenário pode combinar menor recuperação dos reservatórios em áreas importantes com aumento do uso de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado.
O Plano da Operação Energética de 2026, elaborado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), prevê geração térmica adicional durante todos os meses do período seco, com os maiores volumes em outubro e novembro.
No cenário mais desfavorável apresentado no documento, o armazenamento do subsistema Sudeste/Centro-Oeste ficaria próximo de 44% ao fim de novembro, acima dos 41,6% registrados no mesmo período de 2025.
As bandeiras dos meses seguintes estão previstas para ser anunciadas em 28 de agosto, 25 de setembro e 30 de outubro.
__________
Inteligências Artificiais foram utilizadas na preparação desta reportagem
