
De acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, ministros do Supremo Tribunal Federal acreditam que podem ter sido gravados sem consentimento pelo colega Dias Toffoli durante sessão reservada realizada na quinta-feira (12), quando foi decidido seu afastamento da relatoria do processo envolvendo o Banco Master. A suspeita surgiu após o site Poder360 divulgar trechos literais das discussões ocorridas na reunião.
A reportagem reproduz falas atribuídas aos ministros e afirma que o encontro teve “forte tom político” e buscou a autopreservação dos integrantes da Corte. Segundo o texto, havia magistrados que defendiam Toffoli.
Integrantes do Supremo encaminharam a publicação ao próprio ministro, indicando que a gravação teria ocorrido na sessão. Toffoli negou ter feito qualquer registro. “Não gravei e não relatei nada para ninguém”, afirmou à coluna. Ele também levantou a hipótese de que algum servidor da área de tecnologia da informação possa ter sido responsável pelo registro.
Magistrados ouvidos relataram perplexidade e desconforto diante do episódio, classificado como inédito. Para eles, houve quebra de confiança entre os membros do tribunal. Também apontaram que os trechos divulgados favorecem Toffoli e não refletem a complexidade do debate travado.
A reunião foi restrita exclusivamente aos ministros do STF, sem autorização de entrada para terceiros, o que reforça, segundo integrantes da Corte, a convicção de que a gravação teria sido feita por um dos presentes.
Entre as falas publicadas, Gilmar Mendes teria afirmado que decisões tomadas por Toffoli no caso Master contrariaram a Polícia Federal e que a corporação teria buscado reagir. Cármen Lúcia aparece defendendo a necessidade de considerar a institucionalidade do tribunal, apesar de declarar confiança no colega. Já Luiz Fux declarou voto favorável a Toffoli e disse não compreender o debate.
Alexandre de Moraes não teve falas literais divulgadas, mas é descrito como crítico da Polícia Federal, responsável por relatório entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin, que resultou na saída de Toffoli da relatoria.
Nunes Marques classificou o caso como “um nada jurídico” e criticou a possibilidade de votação da suspeição. André Mendonça rejeitou a existência de relação íntima atribuída a Toffoli e reforçou a fé pública na palavra do ministro.
Cristiano Zanin afirmou que o material apresentado pela Polícia Federal seria nulo, enquanto Flávio Dino classificou o relatório como “lixo jurídico” e avaliou que a crise era de natureza política.
Apesar das manifestações registradas na reportagem, os ministros decidiram que o afastamento de Toffoli da relatoria seria a melhor medida para o Supremo. Segundo um integrante da Corte ouvido pela coluna, a suspeita de gravação clandestina tende a isolar o magistrado, em razão da ruptura de confiança entre os


