
Salvador apresentou em dezembro de 2025 uma das maiores altas no custo da cesta básica entre as 27 capitais brasileiras analisadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
O aumento foi de 1,55% em relação a novembro, colocando a cidade entre os destaques negativos do mês. No acumulado de 12 meses, o encarecimento chegou a 4,04%, um dos maiores do país.
O valor médio da cesta em Salvador atingiu R$ 607,48, o que exige 88 horas e 2 minutos de trabalho para um trabalhador que recebe o salário mínimo nacional de R$ 1.518,00. Isso corresponde a 43,26% do salário líquido, após o desconto previdenciário de 7,5%.
O relatório divulgado em 8 de janeiro de 2026 revela que o aumento dos preços em Salvador foi o terceiro maior do país, atrás apenas de Maceió (3,19%) e Belo Horizonte (1,58%). Entre os fatores que mais contribuíram para esse resultado estão os aumentos em alimentos essenciais como a carne bovina, pão francês e banana, produtos de alta representatividade na cesta dos consumidores.
No contexto regional, Salvador se destaca negativamente. Enquanto outras capitais do Nordeste registraram estabilidade ou quedas nos preços -- como João Pessoa, onde não houve variação, e Recife, com queda de -0,44% -- a capital baiana seguiu na contramão, registrando uma elevação significativa no custo da alimentação básica.
São Paulo tem a cesta mais cara
Apesar de São Paulo continuar com o maior custo absoluto da cesta básica (R$ 845,95), os dados da pesquisa indicam que o ritmo de aumento em Salvador é proporcionalmente mais elevado, considerando o poder de compra regional. A capital paulista teve alta de apenas 0,56% no mês, enquanto Salvador chegou a quase o triplo desse índice.
Além disso, o estudo revela que, em Salvador, o percentual do salário mínimo necessário para comprar os alimentos básicos ficou acima da média nacional, que foi de 48,49% em dezembro. O tempo médio de trabalho para adquirir a cesta em todo o Brasil foi de 98 horas e 41 minutos, sendo menor na capital baiana, o que indica o valor relativamente mais baixo da cesta -- mas também uma renda média menor dos trabalhadores locais.
Produtos que mais pressionaram os preços em Salvador
A análise não apresenta o detalhamento individual dos itens em Salvador, mas o relatório geral aponta aumentos expressivos no preço de itens como:
-- Carne bovina de primeira: alta em 25 das 27 capitais pesquisadas, impulsionada pela oferta reduzida e maior demanda interna e externa;
-- Banana e batata: impactadas por questões climáticas e fim de safra, com variações acima de 20% em algumas capitais;
-- Pão francês e leite integral: com comportamento misto, mas tendência de alta em várias cidades do Norte e Nordeste.
Os produtos com queda em nível nacional foram arroz agulhinha, açúcar cristal, leite integral e café em pó. No entanto, a intensidade dessas quedas foi insuficiente para compensar as altas nos itens de maior peso na composição da cesta, como as proteínas e farináceos.
O DIEESE calcula mensalmente o salário mínimo necessário para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas. Em dezembro de 2025, esse valor foi estimado em R$ 7.106,83, ou 4,68 vezes o salário mínimo vigente. Isso reforça a pressão inflacionária sobre os alimentos e a dificuldade de garantir segurança alimentar às famílias mais vulneráveis.
