Saúde

Por que o Verão aumenta risco
de desenvolver pedra nos rins

Médica dá dicas para evitar o problema

Foto: Ilustração GPT Imagens IA
A desidratação contribui para a formação de pedras nos rins
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A desidratação pode aumentar em até 30% os casos de cálculos renais, especialmente no verão, segundo especialistas. A baixa ingestão de água concentra substâncias na urina, favorecendo a formação de pedras nos rins. Beber líquidos regularmente é essencial para prevenir o problema, segundo sociedades médicas e estudos clínicos.

A desidratação, especialmente em períodos de calor intenso, pode provocar um aumento de cerca de 30% na incidência de cálculos renais, popularmente conhecidos como pedras nos rins, segundo alerta de especialistas em nefrologia e urologia no Brasil.

A condição está relacionada à redução do volume urinário e à maior concentração de substâncias que formam cristais nos rins, um fator bem descrito em literatura médica.

Os cálculos renais são depósitos duros de sais minerais e outras substâncias que se formam dentro dos rins e podem causar dor intensa, sangue na urina e obstruções no trato urinário. Entre os fatores de risco estão genética, dieta, excesso de sódio ou proteínas e, notadamente, a falta de ingestão adequada de líquidos.

O mecanismo fisiológico por trás disso é simples: quando o corpo está desidratado, o volume urinário diminui. Isso aumenta a concentração de minerais como cálcio e oxalato, que podem se unir para formar cristais -- os primeiros passos na formação de pedras.

A produção de urina mais concentrada -- consequência direta da desidratação -- aumenta a supersaturação de cristais na urina, facilitando a formação de cálculos.

“A ingestão de líquidos é uma prioridade”, afirma a médica nefrologista baiana, Manuela Lordelo.

A especialista conta que a água ajuda a regular a temperatura corporal e é essencial para o pleno funcionamento dos rins, responsáveis por filtrar as toxinas do sangue. Não havendo isso, a desidratação pode sobrecarregar os órgãos e prejudicar sua função.

“De um modo geral, a quantidade de água que um adulto deve beber por dia é de cerca de 2 a 2,5 litros. Essa quantidade não é uma regra, mas a base é 30 a 35 ml de água por quilo, multiplicando o peso por esse valor para ter uma estimativa (ex: 70kg x 30ml = 2,1L)”, explica a médica, ressaltando que é importante sempre observar a cor da urina (amarelo claro/transparente indica boa hidratação) e jamais esperar sentir sede para ingerir água.

Outra orientação é fazer escolhas inteligentes. “Optar por comidas mais saudáveis, como frutas frescas e líquidas (melancia, melão, mamão etc), vegetais e proteínas magras, não apenas agrada ao paladar, mas também contribui para a saúde renal. A prática de atividade física promove a circulação sanguínea adequada, essencial para o bom funcionamento dos rins, sem falar na necessidade de manter consultas médicas regulares. Caso já exista alguma condição renal, os cuidados devem ser redobrados”, recomenda Manuela Lordelo, que atua no Instituto de Nefrologia Alayde Costa, em Salvador.

Como a hidratação ajuda a prevenir pedras nos rins

Especialistas recomendam que o consumo diário de líquidos -- especialmente água -- seja suficiente para produzir pelo menos 2 a 2,5 litros de urina por dia.

Esse volume ajuda a:

-- Diluir substâncias formadoras de cristais como cálcio e oxalato

-- Reduzir a concentração de solutos na urina, diminuindo a chance de formação de cristais

-- Manter o funcionamento renal adequado, com filtragem eficiente de toxinas e resíduos

Além de água, outras bebidas podem contribuir para o volume total de fluidos, mas a água continua sendo a opção mais eficaz e recomendada para prevenção.

Recomendações práticas incluem:

-- Beber água regularmente ao longo do dia

-- Aumentar a ingestão de líquidos em dias quentes ou após atividades físicas

-- Atenção à dieta -- reduzir sal e alimentos muito ricos em oxalato

-- Consultar um médico se houver história de cálculo renal ou sintomas como dor intensa na região lombar

Bebidas alcoólicas

A nefrologista Manuela Lordelo faz ressalvas com relação ao consumo de bebidas alcoólicas no Verão.

“O álcool, apesar de líquido, tem um efeito diurético. Isso significa que ele aumenta a produção de urina, podendo levar à desidratação, o que é especialmente perigoso em dias quentes. O seu consumo em excesso pode sobrecarregar o fígado e os próprios rins a longo prazo. Em resumo, durante períodos de calor intenso, é fundamental priorizar a ingestão de água em abundância e limitar ou evitar o consumo de bebidas alcoólicas.”