
O ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto de 2025, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou haver descumprimento das medidas cautelares impostas no processo que apura suposta incitação a atos antidemocráticos.
A defesa já recorreu, pedindo que o caso seja submetido à análise da Primeira Turma da Corte.
Enquanto o recurso tramita, o cenário político se deteriora: protestos e motins no Congresso Nacional paralisaram votações por mais de um dia, e as redes sociais se tornaram palco de uma intensa disputa narrativa.
O episódio também trouxe efeitos econômicos e diplomáticos, incluindo novas tensões com o governo dos Estados Unidos.
Próximos passos no STF
O recurso da defesa foi protocolado em 7 de agosto e solicita que a decisão monocrática de Moraes seja submetida ao referendo do colegiado da Primeira Turma do STF, composta por Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
Advogados de Bolsonaro argumentam que o ex-presidente não violou diretamente as medidas cautelares, sustentando que manifestações em redes sociais de terceiros não configurariam participação ativa.
A Procuradoria-Geral da República deve emitir parecer ainda nesta semana, e o julgamento no colegiado pode ocorrer já no próximo plenário virtual. Caso a prisão domiciliar seja mantida e descumprimentos continuem, existe a possibilidade de conversão da medida em prisão preventiva, que não possui prazo determinado.
Motins e bloqueio legislativo
A prisão gerou reação imediata entre parlamentares alinhados ao ex-presidente. No dia seguinte, um grupo de deputados e senadores bolsonaristas ocupou as mesas diretoras da Câmara e do Senado, usando correntes e adesivos na boca, como forma de protesto contra o que classificam como "perseguição política".
A ocupação durou cerca de 30 horas, inviabilizando votações importantes, como a proposta de isenção de imposto de renda para quem ganha até dois salários mínimos. A pauta só foi retomada após acordo mediado por lideranças partidárias, mas as negociações evidenciaram o clima de radicalização e o enfraquecimento da agenda econômica no Congresso.
Militância digital e narrativas internacionais
Nas redes sociais, a militância bolsonarista organizou buzinaços, carreatas e transmissões ao vivo em apoio ao ex-presidente. Hashtags como #LiberdadeParaBolsonaro e #MoraesDitador figuraram entre os assuntos mais comentados no Brasil.
No cenário internacional, líderes e veículos de imprensa repercutiram o caso. O ex-presidente norte-americano Donald Trump declarou que Bolsonaro é alvo de uma "caça às bruxas", e anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, medida que elevou a tensão diplomática entre Brasília e Washington.
A União Europeia, por outro lado, manifestou preocupação com "ataques a instituições democráticas" e defendeu a independência do Judiciário brasileiro.
Impactos econômicos e eleitorais
A instabilidade política aumentou a volatilidade nos mercados. O Ibovespa recuou 2,4% no dia seguinte à prisão, e o dólar chegou a R$ 5,63. Analistas afirmam que, se o impasse institucional se prolongar, pode haver atraso na aprovação de reformas e perda de confiança de investidores.
No campo eleitoral, embora Bolsonaro esteja inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aliados avaliam que o episódio pode fortalecer sua influência nas urnas de 2026, consolidando o apoio da base conservadora e polarizando ainda mais o debate político.
Os próximos dias serão decisivos para definir se o STF manterá a prisão domiciliar ou optará por uma medida mais branda. No Congresso, a base governista tenta retomar o ritmo das votações e conter novos protestos, enquanto a oposição promete ampliar a pressão.
A combinação de fatores jurídicos, mobilização de rua e repercussões internacionais aponta para um quadro de instabilidade política prolongada, cujos efeitos poderão moldar o cenário econômico e eleitoral do país nos próximos anos.