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Saiba o que o Cartel de los Soles (que Maduro é acusado de liderar)

Rede criminosa ligada a militares venezuelanos domina o narcotráfico na Venezuela

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O Cartel de los Soles é uma rede criminosa ligada a militares venezuelanos, acusada de controlar o tráfico de drogas no país. A organização atua com apoio de altos oficiais e colaboração de grupos armados, sendo alvo de sanções e denúncias internacionais por transformar o Estado em facilitador do narcotráfico.

O Cartel de los Soles é uma organização criminosa que opera a partir das Forças Armadas da Venezuela e é acusada de controlar o tráfico de drogas no país. O grupo teria se consolidado nas últimas décadas com o envolvimento de altos comandantes militares, inclusive com respaldo político de autoridades próximas ao governo venezuelano.

O nome faz referência aos "sóis" que simbolizam o posto de general nas forças armadas venezuelanas, indicando a participação de oficiais de alta patente.

De acordo com relatórios da DEA (Agência Antidrogas dos EUA), documentos judiciais, investigações jornalísticas e denúncias de desertores venezuelanos, o cartel atua principalmente no transporte e distribuição de cocaína produzida na Colômbia, utilizando a Venezuela como rota de exportação para países da América Central, México e, em última instância, os Estados Unidos e a Europa.

Origem e estrutura da organização

A expressão "Cartel de los Soles" surgiu nos anos 90, quando oficiais da Guarda Nacional Bolivariana foram implicados em casos de tráfico de drogas. Com o tempo, a rede se expandiu e se tornou mais estruturada, segundo analistas internacionais.

O cartel é supostamente composto por diferentes facções dentro das forças de segurança, como a Guarda Nacional, Exército, Polícia Militar e serviços de inteligência, cada qual controlando rotas, aeroportos e portos estratégicos. Além disso, haveria alianças com grupos guerrilheiros colombianos, como as dissidências das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o ELN (Exército de Libertação Nacional), que operam nas fronteiras e fornecem a droga.

Envolvimento do governo e denúncias internacionais

O governo venezuelano, liderado por Nicolás Maduro, é frequentemente acusado de conivência ou participação ativa nas atividades do cartel. Em 2020, o Departamento de Justiça dos EUA indiciou Maduro e outros 14 altos funcionários venezuelanos por narcoterrorismo, corrupção e tráfico de drogas, alegando que o Cartel de los Soles atua como um "narco-Estado".

Segundo a acusação, Maduro e outros membros do alto escalão teriam permitido a passagem de centenas de toneladas de cocaína através do território venezuelano, em troca de comissões milionárias. A acusação levou os EUA a oferecerem uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levem à prisão do presidente venezuelano.

Em resposta, o governo da Venezuela negou todas as acusações e afirmou que se tratam de "montagens políticas" para desestabilizar o regime chavista.

Canais de distribuição e rotas do tráfico

O Cartel de los Soles utiliza aeroportos militares, portos estratégicos no Caribe e até voos comerciais para escoar a droga, conforme denúncias de ex-militares e investigações internacionais. O principal produto é a cocaína colombiana, que entra pela fronteira oeste e segue rumo ao norte, através do Mar do Caribe, ou ao sul, via Brasil e África, até atingir a Europa.

A região do estado Apure, na fronteira com a Colômbia, tornou-se um dos principais centros de operação do cartel, com intensa movimentação de aeronaves clandestinas e presença de grupos armados. Muitas dessas rotas são protegidas por militares locais, que supostamente recebem propinas para garantir a segurança da operação.

Impactos internos e repressão seletiva

Apesar do discurso oficial de combate ao narcotráfico, analistas afirmam que a repressão na Venezuela é seletiva: agentes independentes e traficantes rivais ao cartel são alvos de operações, enquanto os integrantes da rede militar permanecem impunes.

A presença do cartel tem intensificado a corrupção, o fortalecimento de milícias e o enfraquecimento institucional no país. Além disso, comunidades próximas a áreas de operação sofrem com a violência, deslocamento forçado e coerção por parte de grupos armados.

Desertores e testemunhos

Vários desertores das Forças Armadas da Venezuela relataram, sob anonimato, como o cartel atua. Segundo esses relatos, oficiais superiores coordenam voos ilegais, recebem pagamento de cartéis colombianos e distribuem lucros entre os envolvidos, inclusive com participação de autoridades civis.

Em 2021, um ex-piloto militar venezuelano que buscou asilo nos EUA afirmou que transportou drogas por ordens diretas de generais, sob a alegação de que "a missão era de interesse estratégico nacional".

Repercussão internacional e sanções

O envolvimento de autoridades venezuelanas no tráfico internacional de drogas levou a sanções econômicas por parte dos EUA, União Europeia e países latino-americanos. Diversos generais, ministros e empresários ligados ao regime foram alvos de bloqueios financeiros e restrições diplomáticas.

A ONU e a OEA (Organização dos Estados Americanos) também expressaram preocupação com a situação, destacando que a Venezuela se tornou uma das principais rotas de narcotráfico da região, com forte impacto na segurança hemisférica.