A presidente do PT municipal de Salvador, Ana Carolina, criticou o aumento da tarifa de ônibus na capital baiana, que passou a custar R$ 5,90 a partir dessa segunda-feira (5 de janeiro), em decisão anunciada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil) durante o Festival da Virada.
Para a dirigente partidária, o reajuste representa “um ataque direto à população mais pobre” e aprofunda desigualdades históricas em uma cidade marcada por altos índices de desemprego e vulnerabilidade social.
“Salvador é hoje a capital nacional do desemprego e da desigualdade, e a prefeitura escolhe penalizar justamente quem mais depende do transporte público para sobreviver”, afirmou. "Ele fez a festa, mas o povão não tem o que comemorar", ironizou a petista, em referência aos dias de shows na orla da capital baiana
O novo valor, que coloca Salvador com a terceira tarifa de ônibus mais cara do país e a mais elevada do Nordeste, entrou em vigor sem amplo debate público, conforme aponta a presidente do PT. Na avaliação de Ana Carolina, a decisão revela falta de sensibilidade social e prioridade política equivocada.
“O transporte coletivo deveria ser tratado como direito social e instrumento de inclusão. O que vemos é o contrário: um serviço caro, muitas vezes precário, que consome uma parcela cada vez maior da renda de trabalhadores e estudantes”, disse.
A presidente municipal do PT também questionou os argumentos apresentados pela gestão Bruno Reis, que justifica o reajuste com base em investimentos no sistema, como renovação da frota, criação e retomada de linhas e manutenção da integração tarifária. Segundo ela, não há transparência suficiente nas planilhas de custos nem comprovação de que esses investimentos se traduziram em melhoria efetiva do serviço.
“Ônibus seguem lotados, velhos, linhas continuam insuficientes nas periferias e a população paga mais sem perceber retorno concreto”, criticou.
Ana Carolina destacou ainda o impacto regressivo do aumento da tarifa em um contexto econômico adverso. Salvador figura entre as capitais brasileiras com maior taxa de desemprego e informalidade, realidade que torna o reajuste ainda mais pesado para quem depende do transporte público diariamente.
“Para muitas famílias, o ônibus não é opção, é necessidade. Cada centavo a mais pesa no orçamento de quem já vive no limite”, enfatizou.
