Entre as doenças crônicas não transmissíveis, as cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo e no Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira do Coração (SBC).
No caso das mulheres, os chamados "fogachos" ou ondas de calor, comuns durante a menopausa, são sintomas que têm relação com o aumento de risco cardiovascular.
Menopausa é a última menstruação da vida da mulher. É um evento pontual.
Climatério é o período que se inicia quando a mulher entra na transição da fase reprodutiva para não reprodutiva. Engloba os anos logo antes da cessação da menstruação e todo o período após. Existe o climatério pré-menopausa e pós-menopausa.
O fogacho costuma começar como uma sensação súbita de calor localizada na face e na parte superior do tórax, tornando-se rapidamente generalizada. Essa onda de calor ocorre por uma má interpretação da temperatura corporal real pelo hipotálamo, região do sistema nervoso central que age como termostato. A paciente sente-se muito quente, mas sua temperatura mantém-se normal, ao redor dos 36,5ºC.
A sensação de calor dura entre dois e quatro minutos e está frequentemente associada a intensa transpiração e vermelhidão da pele. Como o organismo pensa que o corpo está muito quente, ocorre uma inapropriada dilatação dos vasos da pele, levando à vermelhidão e à transpiração.
Em 80% dos casos as ondas de calor da menopausa duram por mais de um ano. Na maioria das vezes, o fogacho dura por dois ou três anos. Entretanto, 25% das mulheres sofrem com calores por mais de cinco anos e cerca de 10% mantém os sintomas até depois dos 70 anos.
Ginecologista especializado em saúde metabólica e longevidade e autor do livro “Existe vida após a menopausa”, o médico Jorge Valente explica que os primeiros sintomas do climatério, fase da vida da mulher iniciada quando ela começa a perder os hormônios sexuais e apresentar todos os sintomas associados à menopausa, tendem a acontecer, em geral, a partir dos 45 anos. Mas, a chegada da menopausa, que é quando a mulher fica um ano inteiro sem menstruar, costuma ocorrer por volta dos 48 a 53 anos.
Segundo o médico, os sintomas vasomotores da menopausa, que incluem as ondas de calor e a sudorese noturna (produção de suor pelo corpo), constituem uma resposta automática do sistema nervoso autônomo à percepção de temperatura.
“Nesta etapa da vida as mulheres apresentam uma instabilidade no centro termorregulador porque a sensação térmica é regulada por um núcleo do sistema nervoso central com abundância em receptores estrogênicos”, explica o médico.
Estudos mostram que quanto mais intensos ou prolongados são os “fogachos”, mais evidente o comprometimento da saúde vascular.
“Os resultados destes estudos nos trazem um alerta para a necessidade de valorização desses sintomas, devendo pacientes e médicos acompanharem com atenção, tendo em vista os fatores de risco que estes representam para a saúde cardiovascular e bem estar geral”, destaca o ginecologista.
Ele destaca que nem todas as mulheres vão apresentar este tipo de sintoma, que dependem de vários fatores, dentre eles o estilo de vida. "Quando a mulher inclui na sua rotina cuidados com a alimentação, exercícios físicos, hidratação adequada e sono de qualidade, ela reduz as chances de apresentar os desconfortos provocados pelo climatério e de doenças a estes relacionadas”, alerta o ginecologista Jorge Valente.