Saúde

Estudo mostra como proteger as crianças de vírus respiratório

Infecção é a que mais causa mortes no período pós-neonatal

Foto: Rene Asmussen | Pexels/Creative Commons
O vírus sincicial é a causa mais comum de infecção do trato respiratório

Pesquisadoras da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná, buscaram identificar o mês de início do aumento de casos de infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por 80% das bronquiolites e até 60% das pneumonias em menores de dois anos.

O vírus é a causa mais comum de infecção do trato respiratório inferior e a principal causa de mortalidade entre bebês além do período pós-neonatal.

Em artigo publicado na Revista Brasileira de Pediatria, as autoras identificaram quais regiões e estados brasileiros apresentam incidência mais elevada de internações pela bronquiolite viral aguda (BVA) no país.

Os dados mostram que o período de maior circulação do VSR e de aumento de internações foi de março a julho de 2020. Em todas as regiões, houve maior incidência de internação em meninos, especialmente os menores de seis meses.

A região Sul foi a que apresentou maior incidência de internações. Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste vieram em seguida.

Além da adoção de medidas preventivas para evitar o contágio, há dois medicamentos capazes de aumentar a proteção contra a bronquiolite viral aguda.

Um deles é o anticorpo palivizumabe, uma imunoglobulina de alto custo que gera uma imunização passiva. Até 2023, ele era a principal ferramenta para a prevenção das infecções pelo VSR, em razão da ausência de vacinas licenciadas.

Neste caso, o organismo dos bebês já recebe os anticorpos prontos, ao invés de estimular sua produção, como fazem as vacinas. Outra diferença é que na imunização passiva não há produção de células de memória para defender o corpo de novos ataques. Por isso, o palivizumabe costuma ser administrado em cinco doses durante os meses de maior incidência do VSR.

Essa imunização passiva, de acordo com os autores, reduz em 55% as taxas de internação por bronquiolite viral aguda.

Como o efeito protetor de cada dose dessa imunoglobulina dura cerca de 30 dias, os pesquisadores buscaram identificar o mês de início do aumento de casos e quais regiões e estados brasileiros apresentam incidência mais elevada de internações pela doença.

Novo tratamento disponível

Outro tratamento é feito com o medicamento nirsevimabe, recomendado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Trata-se de um anticorpo monoclonal cujo uso foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em outubro de 2023.

De acordo com comunicado da SBim e da SBP, o medicamento deve ser administrado “em dose única, para todos os recém-nascidos e lactentes menores de um ano nascidos durante ou entrando em sua primeira temporada de circulação do VSR”.

O estudo publicado na Revista Brasileira de Pediatria analisou as taxas mensais de internações em todos os estados a partir de dados obtidos no DATASUS, com informações registradas no sistema entre 2000 e 2019.

A coorte do estudo foi composta por 615.657 crianças abaixo de 12 meses que haviam recebido diagnóstico de bronquiolite viral aguda, sendo 60% meninos e 40% meninas.

Da amostra, 27% das crianças tinham mais de seis meses. A distribuição total foi de 8% na região Norte, 18% no Nordeste, 47% no Sudeste, 20% no Sul e 7% no Centro-Oeste do Brasil.

O artigo sugere o melhor período para a imunização passiva de crianças abaixo de 12 meses. Na maior parte do Brasil, a melhor época para a administração do palivizumabe aos pacientes elegíveis é entre fevereiro e julho, com exceção do Rio Grande do Sul, já que a pesquisa apontou que o período de maior circulação do VSR neste estado acontece entre maio e setembro.

Segundo os autores, a falta de atualização da plataforma DATASUS pode ser um fator limitante, bem como a falta de dados completos de hospitais privados, com internações não financiadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A subnotificação das internações também pode ter sido um fator prejudicial à maior precisão.