Brasil / Economia

Número de idosos em situação de pobreza no País é de 22,7 milhões

Eles são 10,49% da população brasileira

Foto: Pixabay/Creative Commons
Mais de um terço das pessoas nessa situação entraram nesta situação nos últimos 8 anos

Entre 2021 e 2022, mais de 3,4 milhões de brasileiros residentes nas metrópoles brasileiras saíram da situação de pobreza. Mesmo assim, ainda havia 22,7 milhões de pessoas no conjunto das Regiões Metropolitanas nessa situação.

Esse contingente representa 27% da população metropolitana (mais de ¼) e corresponde a um aumento de 4,3 milhões de pessoas em relação a 2014, quando aquele contingente representava 23,4% da população – o menor patamar registrado na série histórica.

Nas regiões metropolitanas do Norte e Nordeste, com exceção de Aracaju, o percentual de pessoas em situação de pobreza superou um terço da população e chegou a ultrapassar 40% nas regiões metropolitanas de Manaus, Macapá, Grande São Luís, João Pessoa, Recife e Maceió.

As informações constam no relatório Incidência de Pobreza entre os Idosos: 2012-2022, produzido por pesquisadores do PUCRS Data Social: Laboratório de desigualdades, pobreza e mercado de trabalho (pucrs.br/datasocial).

A extrema pobreza, em 2022, também voltou a registrar valores próximos àqueles anteriores à pandemia e atingiu 3,9 milhões de pessoas no conjunto das Regiões Metropolitanas, o que representou 4,7% da população. Mais de um terço das pessoas nessa situação [1,5 milhão] entraram nesta situação nos últimos 8 anos, desde 2014.

A pobreza pode ser entendida, de modo genérico, como a circunstância na qual necessidades básicas não são atendidas de forma adequada, sendo considerada, portanto, uma situação de privação. Ou seja, é entendido como pobre aquele indivíduo que não dispõe dos meios minimamente necessários para participar adequadamente da vida na sociedade em que está inserido.

O estudo trabalha com as linhas de US$ 6,85 PPC/dia para pobreza e US$ 2,15 PPC/dia para a extrema pobreza, assim como definidas pelo Banco Mundial.

Em valores mensais de 2022, a linha de pobreza é de aproximadamente R$ 636,52 per capita/mês e a linha de extrema pobreza é de aproximadamente R$199,78 per capita/mês.

Idosos que vivem em domicílios com renda per capita abaixo desses valores estão em situação de pobreza e/ou de pobreza extrema.

O recorte utilizado no estudo abrange pessoas com 65 anos ou mais de idade, sendo este valor baseado nos critérios de aposentadoria (INSS) e do acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Segundo o professor Andre Salata, coordenador do PUCRS Data Social, “os dados refletem o processo de transição demográfica pelo qual o país vem passando; e, diante dele, novos desafios irão surgir, como o envelhecimento da pobreza, que num futuro não tão distante irá demandar ajustes nas políticas sociais”.

O estudo também analisa a composição da renda dos idosos. Entre jovens e adultos, a maior parte da renda tem como fonte o mercado de trabalho. Já entre os idosos, no entanto, os rendimentos do INSS assumem protagonismo, de modo que em sua ausência a renda deles sofreria uma queda de 59,8%.

Na ausência da renda do INSS, a taxa de pobreza entre os idosos aumentaria 53,4 pontos percentuais, e a extrema pobreza subiria 44 pontos percentuais. Nesse aspecto, a situação dos idosos destoa bastante daquela encontrada entre jovens e adultos, tanto para a pobreza quanto para a extrema pobreza.

Segundo a professora Izete Bagolin, pesquisadora do PUCRS Data Social e uma das autoras do estudo, “o envelhecimento da pobreza também aumentará a importância e a necessidade de atenção às redes de proteção aos idosos, pois estes dependem prioritariamente dos recursos provenientes da aposentadoria ou do benefício de prestação continuada. Em função disso, além de garantir o acesso a esses benefícios, será necessário garantir, também, que os valores a serem pagos sejam capazes de viabilizar uma vida digna para um maior contingente de idosos”.